Arquivo de junho 2011

O vento balança

Há! sentimentos que se perdem nas palavras,

amor num breve olhar

que na língua se cala

na profundeza do mar.

 

Há! sonho de criança do amor a esperança

em fazer da vida breve

a sombra de um sonho, antes que o vento leve

 

e o vento balança, dança, dança.

 

Meu amor minha mulher

te dou os meus segredos,

um filme com seus enredos

um beijo de bem me quer

 

e o vento balança, dança, dança.

 

Meu bem caiu como um banho de cachoeira

não é de qualquer maneira

que salta para o espaço,

deixei os meus olhos cair nos teus laços.

 

Na palma de tuas mãos deixei meu coração,

no teu colo deixei os sonhos,

na tua face formosa os meus olhos,

nas pétalas dos teus ouvidos deixei esta canção

 

e o vento balança, dança, dança.

Infinito

As vezes penso…universo

profundo infinito eterno.

As vezes penso em meus olhos

não veem a molécula dos átomos.

 

O homem vive nesses extremos;

nosso cérebro não compreende o infinito.

Entramos no corredor e há luz no túnel

do equilíbrio que na vida tivemos.

 

O micro e o macro nos confundem,

mas para alguns que tem a virtude

de apenas contemplar o nascer do sol,

para os peixes lançar o anzol

 

tudo é um dia após o outro,

sem indagações sob o sol

e o futuro nada que nos deixa indouto.

É fazer da vida frugal.

Sonho

Eu tenho medo de apartamento

fechado e suspenso.


Eu vivo como o vento;

a vida é movimento.


Até meu pensamento

se move lento.


Veloz é o beija flor

na flor dos lírios dos meus anos.

Sem horizonte não há planos

sem amenizar a dor

da sofreguidão.


Preciso de irmãos

que sonhem o meu sonho;

um mundo

risonho.

Cavalo velho

Um cavalo velho cruza a avenida

Quase cambaleante segue avante

O que já foi força hoje é ferida

Animal que tanto serviu infante

 

Das batalhas e trabalho é herdeiro

Serviu nas costas o mundo inteiro

Olho triste o pobre abandonado

Por não ser mais forte nem alado

 

Quadrupede serviu humilhado

Sinto tuas dores, pois o homem

Também se vê pobre abandonado

Quando a força dos anos o consome.

Solidão

Meu estomago sente a solidão,

o remédio é em vão.

Sou eu destinado a ser só

como um laço do destino?

 

Onde desde menino me deram um nó,

sinto o peito em desatino,

rodei-me do ilusório.

Sinto-me como um palhaço

 

jogado num auditório,

só e na vida empurrado,

já não vejo mais nada

nem um amigo, nem a amada.

 

As vezes penso em desfazer tudo,

mas meu pensamento esta mudo,

tento refletir, mas quanto mais reflito

sinto o peito sem alivio.

 

Serei grande o bastante para admitir

que preciso de ajuda como a cura

do mal menor, do mal maior que dura,

a minha vida toda a me seguir.

 

Mato Alto

Saio de um bar,

entre falas, filosofias de vida

pego o ônibus na avenida,

minha mente divaga sem par.

 

No frio do inverno

vejo homens a passar de terno;

o ônibus passa sobre a ponte

sobre o rio poluído ao longe.

 

Passam pessoas com cão

de raça poodle fazendo pipi no chão

e placas anunciam night e new;

a mulher se encolhe pra proteger-se do frio.

 

Chego a Mato Alto,

o morro a beira do asfalto.

Os carros e as motos rompem o sinal

entre pessoas e cavalos, para bem ou mal?