Arquivo de julho 2011

Menino descalço

Uma pipa solta no céu,

um menino descalço,

a pipa solta no espaço.

O menino sente que é seu

 

o azul estendido lá no alto…

Menino que sonha em poder

cortar todas as outras num salto,

embicar, cruzar e vencer.

 

Vê sua pipa se esvaindo

e nos telhados sumindo,

aquilo que lhe possuía

voando no fim do dia.

Louco!

De vez enquanto surge um louco

dizendo-se contra a mistura de raças.

Louco!

Não sabe que somos feitos

de sangue, ossos e carne

e alma,

a calma!

Virtude de Deus!

Que diga o sentimento meu

na revolta asas

que percorrem o mundo.

Quem diz um País como nossa Pátria?

Não caberia um desses(individuo)

cego nos seus próprios olhos.

O mundo não merece esse entulho.  

Quem é esse?

Quem é esse na cidade?

Quem é esse com pouca vaidade?


Quem é esse que em meio à tristeza assobia?

Quem é esse que ao desconhecido diz bom dia?


 

Eu com meus sentimentos de rumores;

Se preocupa, um pouco, com o que os outros dizem.

Que morreria de amores

Por uma flor de mulher.


 

Mas o que é que você quer que eu faça?

Um sorriso sem graça!

Com esse coração de areia movediça


Onde tudo guarda, tudo absorve.

Como o drama humano me comove!

Porque é simplesmente bela a vida,

 

Rodeada de sentimentos afoitos

Que nos chamam dizendo irmão:

Eu estou na palma de tua mão

Cheia de sonhos idílicos.

Nuances

Ao lado do caminho o monte redondinho

e no horizonte ao longe a montanha.

Sempre a admirar as nuances aqui do Rio;

paisagens que em nós ficam na lembrança,

 

o verde frescor da fotografia

refletida pela luz do dia

nas lentes dos meus olhos.

E olho, olho, olho e olho…

 

esta cidade que a mão de Deus desenhou

para termos inspiração de fazer poesia.

É tão tático fazer frases em diversas vias

onde o lirismo em simples versos repousou.

As luzes da cidade

As luzes da cidade ofuscam o céu noturno;

as pessoas da cidade não admiram

o céu à noite, mas as luzes que piscam

das placas e dos faróis num turvo.

 

Carros, luzes, bar e sobeja…

A garrafa em cima da mesa;

a noite tudo abstrai o pensamento

e o tempo se arrasta lento.

 

Lembro-me quando morava no interior

à luz da lua, a mata com seu frescor,

numa oposição a cidade com suas luzes

onde o sossego era uma virtude.

 

Veículos rodam vagalumes

portando pessoas mariposas,

procurando a luz nos vales

sob o céu que pouco reflete sombras.

Notícias

As enchentes que inundam o ouvido da gente

Nas ruas dos vales dos vergalhões 

Alvoroço da ribanceira

Cadê o pau pereira?

Somos os agentes do mundo

Hora ser vagamundo 

Desprezando os cantões

Da inércia

É preciso presa pra sentir o odor

Da flor

Que nasceu na fresta do cimento

Num mundo violento

Sentir o sentimento

Que de repente se esvai

A enchente tudo subtrai

Notícias cotidianas

Em mim estão abertas as persianas

E tudo se filtra num copo d’água

Vida vivida é vida amada.

O frio contrai

O frio contrai.

Entro no ônibus

cheio de pessoas

com seus casacos.

Os vultos me traem

observando as coisas,

os vidros do ônibus

quase todos fechados.

O frio recolhe

para dentro dos lares,

as pessoas aos pares,

e eu me vejo só

tomando café quente

com pessoas ausentes

aqui no Rio de Janeiro.

Num instante me permuto

pelas pessoas que andam

nas ruas no inverno

e me transformo em vulto

também, como todos

que procuram o calor

dos corações humanos.

 

O mar

Faz muito tempo que não vejo o mar;

       sinto o quanto perto dele me vejo pequeno.

Perto dele dá vontade do mundo abraçar

       e ver que tudo não é nada o que tenho.

 

O mar é como uma pintura de Van Gogh,

       profundo de ondas onde tudo se move,

       mas não é tão iluminado como pintura.

Iluminada é a lua que faz tudo flutuar.

 

O mar tem suas estrelas que não cintilam,

       mas que nascem e também morrem;

       nos fascinam e de vagar se movem.

Como as estrelas do mar talvez ainda alcancem

 

       as estrelas que brilham no céu;

       no tempo futuro no extremo universo,

       como os rios que minam para esse oceano.

No vasto e silencioso mistério.