O frio contrai.

Entro no ônibus

cheio de pessoas

com seus casacos.

Os vultos me traem

observando as coisas,

os vidros do ônibus

quase todos fechados.

O frio recolhe

para dentro dos lares,

as pessoas aos pares,

e eu me vejo só

tomando café quente

com pessoas ausentes

aqui no Rio de Janeiro.

Num instante me permuto

pelas pessoas que andam

nas ruas no inverno

e me transformo em vulto

também, como todos

que procuram o calor

dos corações humanos.