Arquivo de agosto 2011

Tempo futuro

Uma idosa no ônibus se queixou da idade,

reclamou do enfado do peso.

Conversa de passagem…

Disse que quando se é jovem

não sente o desrespeito que hora sente.

Numa cidade com percentagem dessa gente

ainda se sente o desrespeito

pelo que é de direito, pela essa gente que construiu e resistiu.  

Quero eu no tempo futuro não me queixar assim

nem pelo peso nem por mim.

Quero semear umas árvores frondosas

com a força do carvalho e a beleza do flamboyant,

que vi, persisti e um jardim construí.

Dentro do peito

Vidas que se desencontram

Em um instante parece estar perto

Em nossa cabeça tudo se forma

Mas a vida faz caminhos incertos

 

Mais o amor de mãe eterno

Maças, iguarias, o alimento

Que ela prazerosa se apraz de contento

Na força do bem querer, se desfaz do ego

 

Quisera o meu leito

Pudesse caber o que tu tens

Dentro do peito

O calor de tuas mãos

Minha forte e doce mãe.

O sonho

O sonho de pé no chão

           e a cabeça nas nuvens,

           não conhece fronteiras

           nem barreiras.

Dá um pulo,

           em um segundo,

do outro lado de mim mesmo.

Fim de inverno

Um cavalo raspava a grama em Pau Ferro

e o sol aparecia no final da tarde;

o ônibus que em Jacarepaguá invade.

É tu Jacarepaguá nos teus sub-bairros!

 

Alguns têm o ar de interior,

na tua gente pacata

gerando o teu calor.

Gente como gente como o ambiente trata

 

e o sol se ponha nos montes,

no inverno o frio caindo,

a claridade sumindo

até que o dia desmonte.

 

E aja o gosto da amêndoa que ninguém come

das árvores que crescem aos montes,

ao sabor da chuva,

como postes que no cimento provoca fendas.

 

Folhas secas,

o comércio,

o ar de tuas ruas,

no sinal tudo se situa,

neste bairro que sempre cresce.

Eu daria as estrelas

Eu daria as estrelas do céu por um amor de mulher.

Daria o que tenho,

e até o que não tenho

por um coração a me acolher;

 

como eu gostaria de estender a minha mão

e tocar teu coração,

como estendo estes versos que penetram os teus olhos

tocando os teus sonhos;

 

pois os sonhos de uma mulher são como os de um jardineiro,

quereria que o mundo inteiro

pudesse admirar suas flores

e do perfume espalhar amores.

Computador

Fechado em seu computador

o homem circula pelo mundo

indiferente a fome e a dor

ele transita pelos sites de relacionamento.

 

Confia que o virtual é meramente

um apertar de botões,

cantões de visões

que iludem a sua mente.

 

Não sabe que nunca se consumiu tanto papel;

as impressoras batem o impresso

nas árvores que foram plantadas ao céu,

pois a tecnologia é apenas isso:

 

uma imitação da natureza

onde a tela mostra a beleza

do computador orgânico

que é cada ser humano.

Sentimentos

Às vezes eu não sei dizer bem

o que se passa comigo.

Hora vai, hora vem,

que na fala não fica exprimido.

 

E boto pra fora do peito,

pois tenho o direito

de me exprimir em arte

os sentimentos vêm e partem.

 

Pois nosso coração é um órgão

que pulsa a vida espremida e contida

dentro de nós mesmos a batida,

no interior o sangue são.

 

E me deixo levar por esses ventos

nos meus olhos míopes.

Pois o que mais enxerga é o pensamento,

hora alegre, hora revolta, hora triste.

 

Pois nem a solidão, nem a tristeza,

há de tirar de mim a clareza

de que a vida ligeira passa,

mas não os sentimentos em versos.

 

O rio

A chuva espalha o cheiro da terra molhada

Na terra sedenta queimada pelo sol.

O sol que castiga o sertão do arrebol

E forma lameirões, chuva e relampejadas,

 

Que chega ao São Francisco.

Então o Velho Chico irá encher;

Ficará pela lama amarronzado.

Da nascente tudo irá crescer.

 

Observo da margem o rio,

Acabou-se na terra o estio

O nível do rio subiu…

Quem já viu? Quem já viu?

 

De um lado Petrolina

Do outro lado Juazeiro.

As águas abraçando o povoado

Dando vida às pessoas, a terra.

 

O fluxo nunca vai cessar,  

Quando estiver preservado

O que passa pelos povoados,

A veia do rio que vem lá das serras.