Às vezes eu não sei dizer bem

o que se passa comigo.

Hora vai, hora vem,

que na fala não fica exprimido.

 

E boto pra fora do peito,

pois tenho o direito

de me exprimir em arte

os sentimentos vêm e partem.

 

Pois nosso coração é um órgão

que pulsa a vida espremida e contida

dentro de nós mesmos a batida,

no interior o sangue são.

 

E me deixo levar por esses ventos

nos meus olhos míopes.

Pois o que mais enxerga é o pensamento,

hora alegre, hora revolta, hora triste.

 

Pois nem a solidão, nem a tristeza,

há de tirar de mim a clareza

de que a vida ligeira passa,

mas não os sentimentos em versos.