Arquivo de setembro 2011

Castelos

Algumas pessoas acreditam em sonhos.

Temem ou se alegram que ele se torne palpável,

as vezes sonham em um prazer agradável,  

as vezes sonham em pesadelo medonho.

 

Sonhar é como mergulhar num rio

do porão (em nossa mente) inundado,

coisas do presente, coisas do passado

distorcidas num naufrágio de navio.

 

Castelos que a vida desfaz,

renovando com as mesmas pedras

outros sonhos futuros,

construindo derrubando muros.

 

Sonhar, assim de olhos abertos,

onde o caminho trilhado pode ser real;

revolvendo o obstáculo impenetrável,   

que o céu é rasgado firmamento.

O amor alcança

Já não conto o trem da minha vida

pelos anos que passam mas, pelas ações

de rimas soltas, cantos canções;

vagões de sentimentos carregam a lida

 

de vitorias sobre mim mesmo;

não fracassos a esmo,

nem o grito preso na garganta,

disso nada, nada adianta.

 

Em tudo o amor suplanta

pelo que não aconteceu;

a vida não morreu,

antes tarde que o amor alcança.

 

Como o nascer do sol

Como um menino que acorda

            bem cedinho esperando

o nascer do sol.

Eu sou assim…

Com uma tremenda esperança

            no futuro.

Que ele seja melhor que o presente,

            que a vida se renove

            e tudo seja belo e único

como o nascer do sol.

Pois nós somos como estrelas

            que pulsam e iluminam este mundo,

embora muitos não se importem

            com o calor de suas veias;

vivem num eclipse duradouro,

            não amam a si mesmos nem ninguém.

Seus sóis são como a sombra e a dureza das pedras.

Mudança

Mudança dá muito trabalho

Comecei a empacotar tudo

Do chuveiro ao chinelo

Nesse ambiente conturbado

Deixei tudo encasulado

Quando vi na geladeira

Que ficaram soltos dois ovos

Ó duvida ovípara!

Ovo é uma célula comestível

Salvar a célula gema e clara

Salvar o involucro plausível    

Tudo eram caixas enfileiradas

O que fazer com dois ovos?

Não é bom o desperdício

Jogar os ovos num precipício?

De ultima hora decidi aos olhos

Embalei numa frasqueira usada.

Um membro

Estava apressado andado no corredor,

quando me vi solto no espaço;

estatelei-me no chão, o pé tropeçou.

A queda feriu o meu braço.

 

Senti o quanto é importante

um membro ferido limitado

na nossa vida, o braço,

que na necessidade estende,

 

encolhe,

levanta,

sustenta,

o peso alavanca

 

no nosso corpo máquina perfeita.

Hora esquerda, hora direita

da mão sua extensão,

que muitos alçam ao espaço fazendo violação.