Arquivo de outubro 2011

Desgosto

O sol se punha de vagar

neste outubro à primavera.

O homem lavava a calçada

espalhando a água a esfregar.

 

A água refletindo o sol,

uma poça que brilha;

passam carros, bicicletas…

O caminho do tempo,

 

a vida em movimento.

O vento deixa um alento:

a brisa que sopra o meu rosto

alivia no fim da tarde o desgosto.

Estou, não sou!

Sou o homem atravessando a rua.

Estou, não sou!

 

Sou a planta que nasce no tronco da árvore.

Estou, não sou!

 

Sou o menino que perdeu a bola.

Estou, não sou!

 

Sou o sol que se põe pela tarde.

Estou, não sou!

 

Sou um pássaro perdido sem ninho.

Estou, não sou!

 

Sou o homem que cresceu, mas ainda é um menino.

Estou, não sou!

 

Sou a coragem que me abandona.

Estou, não sou!

 

Sou em tudo e a todos!

Estou, não sou!

O impossível é possível!

O impossível é possível!   

Ou não estaríamos aqui neste planeta.

O homem cria e recria todos os dias,

quem nunca errou não é humano!

O imperdoável é persistir no erro

como cair e não querer se levantar.

Somos como formigas errantes,

erramos, erramos e acertamos

em busca do alimento para o ninho,

mas o homem erra sabendo que está errado.

Esta incoerência agride a existência,

muitos diriam que é o instinto.

O instinto zela pela sobrevivência,

como o instinto de um pássaro

que mesmo sem quem o ensinar,

abrindo suas asas alça voo para o ar.

Gira, gira mundo

Gira, gira mundo,

e leva tu comigo.

Dai-me pra mim um abrigo

de quem nas letras se esconde.

Faz de mim consciente das minhas fraquezas;

não quero pra mim só certezas…

Quero pra mim a dúvida de quem abre um presente,

assim…de repente.

O amor ao longe

O amor ao longe

antes que a distância

alcance,

se faz fina tranca.

Eu entendo quem se

entorpece,

como o silêncio de uma

prece,

o embriagar de um

tédio,

por quem de amor

não se toca;

se acha mulher séria

e não dá nada em troca.

A vida palpita

O guindaste se ergue até o céu,

os pombos estão por toda parte.

 

A cidade anuncia que há vida,

que dorme e acorda todo dia,

consomem, se alimentam.

 

Rostos alegres, tristes, apressados,

a vida palpita no mundo;

muitos nascem, muitos morrem.

 

Na cidade por toda parte circula que há vida,

a natureza interage com tudo,

tudo está unido, tudo se liga.

 

E assim caminha o meu ser

dependente em tudo aos outros;

o meu ser ama a humanidade,

que muitas vezes é desumana.

 

Os homens têm a mesma essência,

então por que desconhecer

aquele que não tem valor no parecer?

 

Seu dom está naquilo que luta e ama,

o sobreviver na vida

do fôlego que ao nascer tanto queima. 

Outubro

O ônibus avança, as pessoas em silêncio…

em outubro sinto a ânsia de querer viver,

subir numa árvore, na praia correr,

ver e mexer cores, atravessar um rio a nado.

Fazer diferença neste mundo

e descobrir o obvio que nasce em cada dia,

o renovar da vida, o giro no espaço

na letra viva numa explosão de alegria,

daquelas que não se esquece, lá no fundo.

Quando o povo se revolta

Quando o povo se revolta

Há uma voz que se solta

Um mar de folhas de hissopo

Que inundam a praia num sopro

 

Cheia de corruptos escondidos

Na areia da praia encrustados

Comprados pelos corruptores

Agentes e no País atores

 

Desde o tempo do império

Sonegando e comprando

A mente distorcida nos valores

Desconhecendo o povo sério

 

Que agora dar-se conta

Essa coisa arraigada no dia-a-dia

Influindo no País a economia

Como o estralar na cara a tapa

 

Desde o simples cotidiano

Até os mais altos palácios

Percorrendo o caminho

Até chegar a Brasília nos pátios.   

Reticências

Sou apenas um ponto no meu País,

Um ponto no planeta terra,

Um ponto na galáxia,

E no universo sou apenas reticências…

Ciranda

Uma menina ao redor da fila no banco,

seu mundo é uma brincadeira,

o banco não passa de uma passarela,

entre pessoas enfileiradas sem bancos.

 

Não imagina as cifras astronômicas

que circulam na ciranda financeira,

em negócios da china econômica,

levando o negócio do bolso em fileiras

 

a entrar na montanha russa do sobe desce,

em coisas do futuro que poucos conhecem

-não vale o sorriso desta menina!

Valor humano que tanto me anima.

 

Gráficos da especulação de ondas

que se quebram na praia da vida.

Vida que fervilha do desejo que há,

entre cada compra e o desejo a continuar.