Arquivo de 30 de novembro de 2011

Medo

O medo anda comigo

Dentro do meu umbigo

Desde do despertar na infância

Medo que se acabe a esperança

 

Medo do cruzamento da rua

Medo da espada nua

E crua

Que cresce como vácuo no entardecer

Medo de morrer

 

Antes que haja o amanhã

Medo da violência vã

Medo de ser inundado

De ser mal amado

 

Medo do vazio no peito

Sem ter alguém por perto

Medo do incerto

Medo de só me tornar resto

 

Medo de ter medo no amar

Na sala de estar

No corredor

Medo de exaurir-se o amor.

Não sabia o que era o Natal

Quando criança não sabia o que era o Natal,

sabia o que era o arder do cansanção,

os pássaros e o som da mata era minha canção.

 

Sabia o que era o frescor da sombra do umbuzeiro,

o céu e a terra, dois mundos;

o som dos romeiros ecoando lá no fundo

da fé cega, os curandeiros…

 

Vultos da memória na minha tenra infância.

O medo que me impuseram, um velho de barba,

andarilhos, eremitas do sertão…

 

O medo andou comigo desde criança,

aprender por cabeçadas erradas.

 

Aprendi a olhar as feições, rostos dissimulados;

crescia comigo a força da resignação,

da infância que ficou lá longe…

na essência pura e simples, minha intuição.