Quando criança não sabia o que era o Natal,

sabia o que era o arder do cansanção,

os pássaros e o som da mata era minha canção.

 

Sabia o que era o frescor da sombra do umbuzeiro,

o céu e a terra, dois mundos;

o som dos romeiros ecoando lá no fundo

da fé cega, os curandeiros…

 

Vultos da memória na minha tenra infância.

O medo que me impuseram, um velho de barba,

andarilhos, eremitas do sertão…

 

O medo andou comigo desde criança,

aprender por cabeçadas erradas.

 

Aprendi a olhar as feições, rostos dissimulados;

crescia comigo a força da resignação,

da infância que ficou lá longe…

na essência pura e simples, minha intuição.