Arquivo de dezembro 2011

Espelho do sol

A cidade grande nos tira céu estrelado,

encoberto e entrelaçado de nuvens,

e das lâmpadas o brilho amalhoado,  

céu de caminhos o brilho das virtudes.

 

Das três Marias, o cruzeiro do sul…

Embora de dia se possa ver o azul,

o azul é finito não é como a noite,

nem o sol se mostra a infinidade

 

do mar de estrelas brilhantes sem fim,

acompanhado com a lua que reflete

como espelho, hora nova, hora minguante,

 

o caminho via láctea profundeza em mim,

o azul do planeta do outro lado distante,

ver da janela, as asas de um foguete.

Papel picado

No centro fizeram chuva de papel picado,

da janela dos prédios,

caindo sobre as cabeças das pessoas que passavam.

Os otimistas falaram,

falaram também os pessimistas.

Os economistas também, fizeram

suas projeções.

Uns falaram da crise,

outros das flutuações,

neste século vinte e um…

Só sei que ainda soltam fogos!

Otimista: – aqui mais um…

Os pessimistas são estio!

Os otimistas creem que um copo pela metade,

está quase cheio.

Embora, haja aridez nos corações do mundo,

sonhar em vislumbrar um oásis onde mina água

límpida e cristalina, para as almas sedentas sem trégua.

Nunca se esqueça

A verdade irá prevalecer.

Nunca se esqueça do quanto é rara a vida.

Uma palavra, um gesto, às vezes se eterniza

no toque que nos toca,

ficando na memória para sempre,

uma palavra dita da boca,

máquina que planta uma semente,

que sempre relembramos.

Sinapse da vida,

o bem não tem medida!

Enche,

infla,

inspira,

a letra de versos tão simples

que todo mundo entende…

carrinho de menino

passa por sobre a ponte de papel,

voa aviãozinho no céu

do telhado da casa…

a mente nos recorda,

nos dá asas.

Cantata

Ela sorriu para mim após a cantata.

Não imaginava que receberia tão belo presente;

o coração de um homem se alegra

quando uma mulher sorri de contente

ao notarmos a sua beleza

entre todos a delicadeza,

o olhar sutil a me ver…

Mulheres não deixem de sorrir

ao ver um homem simples e sozinho,

no seu coração abriga um ninho

onde a esperança fez morada.

Nuvens

Nuvens cúmulos no entardecer

Tudo indica que vai chover

Derramar o dia sobre a noite

Em águas de choro do céu

E como derrama!

E como derrama!

Apaga a chama

Vontade de sair

Entre todos dividir

O calor do viver

Calor que depura

Mentes e corpos

Toca o som de uma canção

Desejos que se misturam

Alimentando a fé

Que nasce do coração

Como semente

Um grão!

Pra no dia do vazio

Lembrar que frutos vão eclodir

Na alegria que se sente

Olhar pra trás e ver:

­-Passos plantados não foram tardios.

Horas de verão

Noite, horas de verão,

no céu apenas duas estrelas:

uma perto do horizonte, outra no alto do céu.

Ainda se vê o clarão

do dia,

as luzes dos postes já acesas,

eu tenho a certeza que existo.

No bar ao lado, o som do funk toca muito alto;

as pessoas ouvem pra que?

Pra sentirem que estão vivas!

No estremecer da carne!

O som bate, bate…

Nesta véspera de Natal tudo é presa,

pra que isso?

Se o que nos move são os sonhos,

no respirar da alma;

o brilho das estrelas de verão pedem calma.

Arte

Arte é como o ar

Que se respira

Necessário ser e se manifestar!

 

No canto do boiadeiro

No cordel

Van Gogh pintando o céu

Na música do cancioneiro

Arte, arte, arte, arte!

 

Em quantas pontas se repartem

A estrela, o girassol?

Toca o sopro em si bemol

Necessária é como os ares

Arte, arte, arte, arte!

 

Flui no suor do pedreiro

Assentando as pedrinhas fazendo desenhos

No chão

Canta canção!

Ó violão!

Arte, arte, arte, arte!

 

Voa como flecha de luz atravessando o céu

Dança como abelha carregando o mel

Pra rainha espalhando a colméia

 

Dançam como os índios

Ecoando suas vozes lá no fundo

Pois, as vozes da aldeia

São as vozes que transpassam o mundo

Arte, arte, arte, arte!

 

Necessária como a vida!

Simbiose

Necessária é a simbiose entre os seres, com ações

de respeito mútuo num inter-relacionamento

harmônico e atitudes positivas.

Na atitude de servir para ser servido.

Óra! Isto está no evangelho que o amago

do cristianismo, distorcido por pseudos religiosos

que armam cadeias de fundamentos de aparências

que levam, se não, a limitação do Homem dentro

do seu próprio ego; como dar um fruto para uma criança,

sem ensiná-la a descascá-lo.

Luz do sol

A luz lubrifica os corações

Luz do sol que ilumina

Clareando a menina

Dos olhos e emoções

 

As trevas vão pro refugio

Afastando o que só sobra

A sombra que entorna

Mãos que tateiam no escuro

 

O candeeiro da vida

Mãos lançam desmedidas

O coração a pulsar

Quem tenta declamar

 

Versos do peito exalam

A vontade de vencer

Desejos que se calam

Sobrando o querer.

Falta uma peça no quebra-cabeça

Falta uma peça no quebra-cabeça

do mundo!

 

Nos meios de interação,

nos acordos ecológicos, na educação,

no trânsito das ruas.

 

Falta uma peça no quebra-cabeça

do mundo!

 

Na fome nua e crua que assola os países

muito pobres,

no descaso dos nobres.

 

Falta uma peça no quebra-cabeça

do mundo!

 

Nos meios de comunicação, na internet,

no comércio voraz,

nas fronteiras cada vez mais tênues,

nos outdoors.

 

Falta uma peça no quebra-cabeça

do mundo!

 

Nas cidades grandes e pequenas,

nos cinemas,

nos corações.

 

Falta uma peça no quebra-cabeça

do mundo!