Chegou do centro da cidade, contente,

de onde comprou pra todo mundo cartões de Natal.

Ficou até tarde, tentado escrever, de maneira persistente,

a dedicatória para todos em especial.

 

-Lembrança é com cê-cedilha, não é meu filho?

-Sim é…

-Como é que se escreve dois mil e onze, meu filho?

-É com um zero e onze no final…

 

Eu vi o prazer, cansativo, de minha mãe semianalfabeta

a escrever nos cartões de Natal

para todos que tanto presa

algo muito, muito mais que especial.

 

Ela viajou ontem para Pernambuco,

levando gradados na mala

algo que não se expressa em fala,

cartões para todos,

 

numas letras quase indecifráveis,

onde o amável coube nas entrelinhas.