Arquivo de dezembro 2011

Essência

Natalidade, natividade, nascer.

A essência do ser.

Crer que há e sempre haverá um renascer,

mesmo a embrolhos de empórios

que vendem o fim.

 

Neste mormaço da primavera verão

que nos abafam os poros…

 

Que é a vida se não o terminar e recomeçar

de alguma coisa que existe ou a existir?

A existência e suas artimanhas…

 

Que bom seria se nascêssemos com a cabeça

dos trinta anos…

Mas a vida seria mais vazia, sem as descobertas

e sondagens do mundo;

a simples alegria de ter ganhado um sorvete,

de ter ganho uma partida de jogo de botão,

de ter marcado um gol por acaso…

E a doce recompensa de termos realizado um servicinho

só por alguns Reais.

 

E a seiva suculenta do fruto maduro que conseguimos alcançar

ao estendermos o braço,

o vento a balançar,

na sombra da copa de uma árvore frutífera

pejada de frutos “de vez”.

Ser

Quem dera que o ser humano

fosse valorizado pelo que é,

não pelo que possui de bens.

 

Fosse valorizado pelas qualidades,

impalpáveis,

inigualáveis.

Pois todo ser possui dons!

 

Quem sou eu, se não

entre todos os sentidos do meu corpo

uma mente que pensa.

 

Que abstrai o pensamento

no intimo desejo

de ter uma vida digna.

 

O pão na mesa,

um lar que me aconchegue,

um seio de mulher

que me diga que não estou sozinho.

 

Enquanto o calor humano é raro,

muitos em busca de um atalho

pra chegar ao topo

da montanha

que não se conseguiu ultrapassar pela fé.

Erro de Tipografia

 

Ser o não Ser

Eis a questão

 

Franklin Alves Dassie

Niterói – RJ

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Voa pássaro voa

Carrega contigo a vida

Não é só passagem dos meses e dos anos

Na sinfonia do universo é o indescritível e perfeito solo de piano.

Cartões de Natal

Chegou do centro da cidade, contente,

de onde comprou pra todo mundo cartões de Natal.

Ficou até tarde, tentado escrever, de maneira persistente,

a dedicatória para todos em especial.

 

-Lembrança é com cê-cedilha, não é meu filho?

-Sim é…

-Como é que se escreve dois mil e onze, meu filho?

-É com um zero e onze no final…

 

Eu vi o prazer, cansativo, de minha mãe semianalfabeta

a escrever nos cartões de Natal

para todos que tanto presa

algo muito, muito mais que especial.

 

Ela viajou ontem para Pernambuco,

levando gradados na mala

algo que não se expressa em fala,

cartões para todos,

 

numas letras quase indecifráveis,

onde o amável coube nas entrelinhas. 

O poder das palavras

O poder das palavras

é de vida ou de morte.

 

As palavras negativas se infiltram compulsoriamente

de forma estridente,

dizendo-nos de outra forma,

pondo-nos a prova

no interior de nós

causando reação.

 

Nossas almas se entristecem,

nos adormecem

sozinhos no berço.

 

Uma voz branda…

um conselho amigo

afasta o inimigo

de nossas almas.

 

A voz suave

nos puxa para um lago,

tranquilo e raso,

refletindo nossa imagem límpida e clara.

Gostaria

Gostaria de escrever versos que tragam alegria

como um sorriso cumprimento ao nascer do dia.

Gostaria de escrever versos só de certezas boas

e o pensamento de contente flutua e voa…

 

Gostaria de escrever versos que acolham como ninho

como aqueles construídos macios no algodoeiro.

Fizesse despertar o mundo, embora por um segundo

e acalentasse todos para o amor em seus caminhos.

 

Porém, quem faz versos não é um poço de alegrias.

O poeta, embora, cheio de paixões e contradições

só reflete aquilo que lhe vem no peito em porções,

um espelho do seu cotidiano envolto de alegorias.

Ciclos

No Natal o hemisfério sul está calor,

o norte está frio.

É ainda, o equilíbrio da natureza

que tem essa diversidade do tempo.

 

O eixo da terra inclinado

sustenta a existência em ciclos

que se mantem em fios complexos

que se interligam formando um todo:

 

– Ó massa humana, sossegue a chama

da fúria cega do consumismo

que rachou o alicerce

do fundamento,

do firmamento

atolado

na podridão da lama

do egoísmo.

 

Já não basta o que a natureza deu

de troco?

 

Quanto mais o calendário passa

o Homem aumenta sua dívida.

Perplexo ele olha de novo

e não acredita que escapuliu de suas mãos

sua dominação

dos biomas que se tornaram tosco,

fosco, fosco, fosco!

 

-O Éden que vivia por si só

que o Homem de intruso deu um nó.

 

Bolhas de sabão

As calçadas apinham-se de gente

nas compras de Natal e fim de ano.

Atravesso a rua, as bolhas de sabão

voam sobre as cabeças, o dia se entardece

de compras e planos ao preço de vírgula

e noventa e nove.

 

O calor alcançou o mês de dezembro

depois do romper da alva.

Vamos, vamos embora!

(chama o menino por sua mãe)

 

O comércio devora o décimo terceiro,

passa veloz o carro

vermelho

do Corpo de Bombeiros

lembrando:

– a vida é urgente!

Faça o favor!

Meu blog é meio de cultura e não um meio para

expor mercadorias como bolsas, tênis, etc…

meu blog está aberto a todo tipo de cultura,

não o comércio de mercadorias.

Sou contra o capitalismo explorador.

Quem quer fazer propaganda, faça o favor!