Arquivo de janeiro 2012

O cavalo

O cavalo passa na rua de asfalto

O seu passo mágico e ritmado

Passa num porte altaneiro

O cavalo ligeiro

Cavalo forte

Bonito de porte

Galopar, galopar, galopar

Em Jacarepaguá

O cavalo é plástico no seu trote

Faz-se respeitável veículo

Os carros passam e respeitam o seu galope.

Consciência ecológica

Consciência ecológica e da vida leva gerações.

Demora um tempo

pra saber quem realmente se preocupa com a preservação.

O mundo canta a canção.

Canção de letras inacabadas,

um pouco desafinadas

pelo som do vagão do desenvolvimento;

muitos lamentam

porque ficaram pra trás

da ação contumaz

da civilização,

onde o comércio não mede meios

pra convencer

o cidadão,

de que o consumo é a felicidade

e o prazer.

Casas sem reboco

O ônibus sobe a serra,

mais lento do que desce,

meu olhar como uma prece

que roga a paisagem

que se esmera em se mostrar,

a favela (comunidade)

mostra uma imagem

nua das casas que passam,

e passam,

soldadas sobre a rocha e terra,

as casas sem reboco

umas do lado da outra,

e haja escada que faz

subir o povo

sobre o morro,

encontram espaço

na vida aço,

onde o cotidiano

não mede planos

pra viver,

e sobreviver

na cidade grande

de pequenos corações

do asfalto,

penso alto,

como pedra dura

as casas que se penduram no parapeito da vida.

De pé descalço solto à relva

De pé descalço solto à relva,

caminhos do corpo

como fazer acupuntura

tocando os pés,  

em cada ponto um caminho,

cada ponto se irradia o fluxo da vida

e o dia vai e a noite se mostra

calada, só o pensamento a pescar.

As pessoas dormem,

as pessoas se amam,

as pessoas se inflamam

na penumbra.

Quem faz a cada dia o nascer?

Vê que não há um dia igual ao outro,

cada dia um novo rosto,

e como variam os sentimentos.

Em cada manhã pense sempre em agradecer,

sol que nos mostra o amanhecer,

oportunidade de fazer o bem

a cada dia.

Penso em fazer versos leves como a pluma

Penso em fazer versos leves como a pluma

E nas frases fazer-se espuma

Leve

Suave

Sem nada que me entrave

Como mãos soltas ao ar

Sem meditar

Sem muito pensar

Pois o pensamento analítico às vezes se confunde

O fazer versos é tocar os sentimentos

E para tocar

Não é preciso o muito pensar

Só frases leves

Como a neve

Pólen

Pólen

Que vão a semear outras flores futuras

Pluma

Pluma

Ausência de gravidade

Na lua

Como flutua

Vento que nos invade.

No vagão da noite

No vagão da noite

tudo é quietude

sem gestos rudes

uma amplitude

que me remete

nas asas de um pássaro

noturno

a sobrevoar as ruas e avenidas

a mente unida

com a solidão

um deslizamento

lento

sem pressa de o dia acordar.

Agora posso voar

voar, voar…

nas profundezas do meu ser.

Meus versos não são meus

Meus versos não são meus

São de quem os lê

E vê e julga

Como sentimentos soltos ao vento

Meus versos não são meus

São do próprio tempo

Alguns são inspirados

Outros são lançados à sorte

Meus versos não são meus

São simples como a mim mesmo me digo

São frutos que o povo escolhe

Não sei escrever versos frios

Detalhadamente pensados

Meus versos não são meus

São de quem os leu.

Teu olhar

Minha vida anseia por afeto

no quarto escuro olho pro teto

faço planos pro dia seguinte

meu olhar mostra em mim pedinte

de um amor verdadeiro.

 

Você agradou os meus olhos

não quer agradar meu coração?

Não me jogue nos abrolhos

não me deixe na solidão.

 

Meu barco navega num mar

as velas estendidas no mastro

um céu sem lua ou astros

no meu destino ancorar.

 

Não ofereço ouro nem prata

só minhas mãos coração caloroso

a sombra de um pé frondoso

-depositei meu mundo inteiro no teu olhar.

Pássaro, passarinho

Pássaro, passarinho

pairei no mar,

passei do ninho.

Passei do Lar!

Pairei como um beija-flor,

sobre as ondas do oceano,

sem planos…

Sem uma seta que me aponte o caminho,

e passam os anos,

as ondas castigam as rochas,

o vento não cessa…

Quisera eu ter um pergaminho

onde houvesse um mapa

dizendo-me quantos passos faltam

para o tesouro.

Mas, o que vale mais que o ouro?

Ah! É a própria vida!

Espere um pouco!

O sol vai nascer entre as nuvens:

-Agora!… Aurora, aurora, aurora!

Lá no pé daquela serra

Lá no pé daquela serra

mora um homem solitário

levando chuva e sol

vivendo tão temerário

na pesca usa o anzol

tão simples sua plantação na terra.

 

Não tem um amor no coração

nem parentes que lhe empreste

de manhã faz uma prece

-que aperto e sofreguidão!

 

Vê suas fontes secarem

vê a poluição nos ares

lamenta a poluição dos rios

na terra o tempo bravio.

 

Abandona sua choupana

trancando a porta pra sempre

se tornando um indigente

fez da calçada sua cama.