Arquivo de fevereiro 2012

Libélula

Olhando a tela do computador,

tentando escrever versos,

de mim eu empresto

um sentimento voador.

 

Não adianta o muito pensar,

o que sair sairá

no calor das horas

que me devora.

 

Minhas horas voam como libélula

sobre a superfície da água,

neste lago de calmaria,

que na manhã deságua.

Casulo

Tenho por mim que somos envolvidos

 num emaranhado casulo,

 onde a imperfeição impera.

Incapazes de realizar o perfeito,

 aprendemos com o erro.

O que não pode persistir é o medo,

o medo de errar,

o medo de amar.

Mesmo que nos cause sofrimento.

Mas, há alegria no êxito do acaso,

e quando o êxito

se faz na constância

persistência

de tentar,

depois de vários tombos

nunca mais se esquece,

mas, a vida é falível porque

existe atores externos, que

fogem ao nosso controle, e tudo

se emaranha.

A carne pede ajuda em seu

emaranhado e sofrível existir.

E esse sofrível existir nos amadurece,

nos guia no escuro da incerteza de cada

dia que passa, cheio de fome pela vida,

cheio de sede que sempre retorna,

num incessante renovar-se.

Vontade de vida

Eu hoje acordei com um bem-te-vi,

a me dar bom dia.

Pela manhã bem cedinho eu ouvi.

Os pássaros têm o dom de dizer que a vida é bela,

mesmo eu só podendo ver cimento e muros da janela.

Por sobre o telhado ecoou em mim a vontade de vida,

refém da natureza,

que as vezes empresta sua beleza.

O povo precisa do pão

Onde o pensamento alcança,

a mente nas mais altas altitudes,

longínqua a mente

haverá semente

pra se plantar no intimo do ser.

A flor das virtudes,

o calor que aquece o corpo,

mas, o coração

neste verão?

Onde o carnaval se vestiu de fantasia,

pra celebrar alegria durante alguns dias;

mas, o coração não permaneceu aquecido,

pois há festa do momo,

mas, a festa do somos?

Permanentemente somos

carentes somos,

de amor somos.

O povo precisa do pão

da civilidade,

sociedade saudável,

antônimo de negação,

sem acordos no escuro

nem corrupção.

É preciso transportar a alegria do carnaval

pra dentro do pão

que se come todo dia,

pra todo e qualquer dia-a-dia,

porém, a alegria as vezes não está na carne,  

e este País tirando a fantasia

ainda continue uma feliz nação.

 

E por que não disser esperança?

E por que não disser esperança?

Como dança de criança,

nuvem que passa prateada,

o brilho ofuscou os meus olhos,

surge uma lágrima,

a luz é intensa quando olho.


Invade choupanas e prédios,

floresta e desertos,

não quero crer no meu tédio

que o vento leva incerto,

por caminhos já andei,

solitários e escuros,

eu sei!


O que procuro?

É a felicidade,

que de repente por pouco me invade,

acima dos quintais e dos muros,

onde possa existir o amor,

do que há mais puro

sem resistência e dissabor.


Porque, por mais que a injustiça

leva e faz,

o olhar sem malícia

revela numa criança

o puro brilho da paz.

Os versos se seguem

Um sonho contido

E agora revelado

O que estava escondido

Muito mais amado

 

Batendo no coração

Mesmo que me neguem

E me digam um não

Os versos se seguem

 

No desejo de ser poeta

Pra quem lê meus versos

Que em tons diversos

E se abram portas

 

No peito das pessoas

Ou em mim mesmo

Que não fique a esmo

E assim ressoam.

 

O tempo todo eu me ouço

O tempo todo eu me ouço,

me viro ao avesso.

 

Conversa mental com os outros.

Planejo o seguir.

 

Tenho sempre a opção “b”.

 

Eu quero vencer e ir,

onde não haja muita algazarra

e tudo seja simples de ser.

Na exatidão dos relógios

Na exatidão dos relógios,

na exatidão de um pulsar

no universo

revela que não há

sentimento mais denso

que o corpo humano sente.

Tudo é uma questão de densidade;

há densidade no aglomerado das cidades,

no interior harmônico de uma floresta,

numa partida de futebol, no carnaval,

a flor das idades

na força da juventude

tornando mais denso os momentos,

que com o tempo se esvai

se aquietando e tornando mais brando

nas atitudes,

os conhecimentos,

e vai e vai…

A densidade dos anos se aquietando,

como na correnteza de rio estreito

que vai aos poucos se alargando

se tornando manso e profundo.

 

Desfiladeiro

Desfiladeiro, precipício

onde não há fundo

como se a dor fosse à maior do mundo

caindo, caindo, que aperto no peito…

Pra se desvencilhar não há astúcia

vivo agora a naufragar em ti

angústia.

Um vácuo na vida

remoída e sofrida

que agora me subtrai

aperto da existência

a mente ardendo por urgência.  

Olho pro quarto perplexo

Olho pro quarto perplexo

Minhas roupas, o computador,

o que eu tenho de maior valor,

e tudo parece sem nexo.

 

A vida passa com seu sorriso.

É preciso conversar com ela,

porque ela não espera,

ela simplesmente não quer compromisso

 

de quem não se aproveitou,

sou eu um mero ator

que não cumpriu seu papel direito,

fiz-me mero e simples sujeito

 

do tempo que não reconheceu os meus feitos.

Tenho transtornos no tempo que não me aprisiona,

como pude esconder meus sentimentos em baixo da cama,

pois não há o que esconder, sou tosco e direito.