Archive for fevereiro de 2012
Libélula
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 29 de fevereiro de 2012
Olhando a tela do computador,
tentando escrever versos,
de mim eu empresto
um sentimento voador.
Não adianta o muito pensar,
o que sair sairá
no calor das horas
que me devora.
Minhas horas voam como libélula
sobre a superfície da água,
neste lago de calmaria,
que na manhã deságua.
Casulo
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 28 de fevereiro de 2012
Tenho por mim que somos envolvidos
num emaranhado casulo,
onde a imperfeição impera.
Incapazes de realizar o perfeito,
aprendemos com o erro.
O que não pode persistir é o medo,
o medo de errar,
o medo de amar.
Mesmo que nos cause sofrimento.
Mas, há alegria no êxito do acaso,
e quando o êxito
se faz na constância
persistência
de tentar,
depois de vários tombos
nunca mais se esquece,
mas, a vida é falível porque
existe atores externos, que
fogem ao nosso controle, e tudo
se emaranha.
A carne pede ajuda em seu
emaranhado e sofrível existir.
E esse sofrível existir nos amadurece,
nos guia no escuro da incerteza de cada
dia que passa, cheio de fome pela vida,
cheio de sede que sempre retorna,
num incessante renovar-se.
Vontade de vida
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 27 de fevereiro de 2012
Eu hoje acordei com um bem-te-vi,
a me dar bom dia.
Pela manhã bem cedinho eu ouvi.
Os pássaros têm o dom de dizer que a vida é bela,
mesmo eu só podendo ver cimento e muros da janela.
Por sobre o telhado ecoou em mim a vontade de vida,
refém da natureza,
que as vezes empresta sua beleza.
O povo precisa do pão
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 24 de fevereiro de 2012
Onde o pensamento alcança,
a mente nas mais altas altitudes,
longínqua a mente
haverá semente
pra se plantar no intimo do ser.
A flor das virtudes,
o calor que aquece o corpo,
mas, o coração
neste verão?
Onde o carnaval se vestiu de fantasia,
pra celebrar alegria durante alguns dias;
mas, o coração não permaneceu aquecido,
pois há festa do momo,
mas, a festa do somos?
Permanentemente somos
carentes somos,
de amor somos.
O povo precisa do pão
da civilidade,
sociedade saudável,
antônimo de negação,
sem acordos no escuro
nem corrupção.
É preciso transportar a alegria do carnaval
pra dentro do pão
que se come todo dia,
pra todo e qualquer dia-a-dia,
porém, a alegria as vezes não está na carne,
e este País tirando a fantasia
ainda continue uma feliz nação.
E por que não disser esperança?
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 22 de fevereiro de 2012
E por que não disser esperança?
Como dança de criança,
nuvem que passa prateada,
o brilho ofuscou os meus olhos,
surge uma lágrima,
a luz é intensa quando olho,
invade choupanas e prédios,
floresta e desertos,
não quero crer no meu tédio
que o vento leva incerto,
por caminhos já andei,
solitários e escuros,
eu sei!
O que procuro
é a felicidade
que de repente por pouco me invade,
acima dos quintais e dos muros
onde possa existir o amor,
do que há mais puro
sem resistência e dissabor,
porque, por mais que a injustiça
leva e faz,
o olhar sem malícia
revela numa criança
o puro brilho da paz.
Os versos se seguem
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 20 de fevereiro de 2012
Um sonho contido
E agora revelado
O que estava escondido
Muito mais amado
Batendo no coração
Mesmo que me neguem
E me digam um não
Os versos se seguem
No desejo de ser poeta
Pra quem lê meus versos
Que em tons diversos
E se abram portas
No peito das pessoas
Ou em mim mesmo
Que não fique a esmo
E assim ressoam.
O tempo todo eu me ouço
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 18 de fevereiro de 2012
O tempo todo eu me ouço,
me viro ao avesso.
Conversa mental com os outros.
Planejo o seguir.
Tenho sempre a opção “b”.
Eu quero vencer e ir,
onde não haja muita algazarra
e tudo seja simples de ser.
Na exatidão dos relógios
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 16 de fevereiro de 2012
Na exatidão dos relógios,
na exatidão de um pulsar
no universo
revela que não há
sentimento mais denso
que o corpo humano sente.
Tudo é uma questão de densidade;
há densidade no aglomerado das cidades,
no interior harmônico de uma floresta,
numa partida de futebol, no carnaval,
a flor das idades
na força da juventude
tornando mais denso os momentos,
que com o tempo se esvai
se aquietando e tornando mais brando
nas atitudes,
os conhecimentos,
e vai e vai…
A densidade dos anos se aquietando,
como na correnteza de rio estreito
que vai aos poucos se alargando
se tornando manso e profundo.
Desfiladeiro
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 16 de fevereiro de 2012
Desfiladeiro, precipício
onde não há fundo
como se a dor fosse à maior do mundo
caindo, caindo, que aperto no peito…
Pra se desvencilhar não há astúcia
vivo agora a naufragar em ti
angústia.
Um vácuo na vida
remoída e sofrida
que agora me subtrai
aperto da existência
a mente ardendo por urgência.
Olho pro quarto perplexo
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 15 de fevereiro de 2012
Olho pro quarto perplexo
Minhas roupas, o computador,
o que eu tenho de maior valor,
e tudo parece sem nexo.
A vida passa com seu sorriso.
É preciso conversar com ela,
porque ela não espera,
ela simplesmente não quer compromisso
de quem não se aproveitou,
sou eu um mero ator
que não cumpriu seu papel direito,
fiz-me mero e simples sujeito
do tempo que não reconheceu os meus feitos.
Tenho transtornos no tempo que não me aprisiona,
como pude esconder meus sentimentos em baixo da cama,
pois não há o que esconder, sou tosco e direito.