Arquivo de 16 de fevereiro de 2012

Na exatidão dos relógios

Na exatidão dos relógios,

na exatidão de um pulsar

no universo

revela que não há

sentimento mais denso

que o corpo humano sente.

Tudo é uma questão de densidade;

há densidade no aglomerado das cidades,

no interior harmônico de uma floresta,

numa partida de futebol, no carnaval,

a flor das idades

na força da juventude

tornando mais denso os momentos,

que com o tempo se esvai

se aquietando e tornando mais brando

nas atitudes,

os conhecimentos,

e vai e vai…

A densidade dos anos se aquietando,

como na correnteza de rio estreito

que vai aos poucos se alargando

se tornando manso e profundo.

 

Desfiladeiro

Desfiladeiro, precipício

onde não há fundo

como se a dor fosse à maior do mundo

caindo, caindo, que aperto no peito…

Pra se desvencilhar não há astúcia

vivo agora a naufragar em ti

angústia.

Um vácuo na vida

remoída e sofrida

que agora me subtrai

aperto da existência

a mente ardendo por urgência.