Arquivo de março 2012

Corpo

O Homem na cadeia alimentar

faz da natureza o quiser dar,

desde um simples grão de semente

até uma manada de ruminantes.


manipula,

induz,

interfere,

na teia alimentar


Manipula a natureza a seu favor

ao longo da história.

Hoje,

transforma o que quiser

em apenas escória.


corpo

escopo

esgoto

fosso

oco


Não se toca no compromisso

de acabar com a fome,

que ainda hoje assola o próprio Homem.



Silêncio

Sentir nas madrugadas

o silêncio,

e nas manhãs

acordar silente

descarregado no divã

o sono da noite,

porque na noite o sonho descarrega por si mesmo

o imponderável segredo

(o aquário)

do dia que vai nascer

e alvorecer enredos

do segredo

que não se revela,

só o frescor da manhã

quando se abre a janela.

Os dias se repetem

Os dias se repetem,


mas,

não são iguais.


O sol nasce

não como ontem

houvera nascido.


É como um quadro novo


que o pintor celeste pinta,


com as mesmas tintas.

A noite vem

A noite vem,

a chuva cai na tardezinha

rápida e ligeira,

refresca o calor do dia e faz bem.


O cheiro do molhado invade a casa inteira

neste verão-outono transição,

anunciou vida

nas casas que se avizinham,

se despedindo do verão.


A guerra marcha

A guerra marcha.

Guerra depende de suas armas,

movimentando ideais.


O que dizer então

da guerra pela natureza,

a guerra do Sudão?


Neste disparate de opostos

vence quem for mais forte

porque a vida quer suporte

pra se manter sustentada,

vida as vezes tão amada,

as vezes tão odiada,

daqueles que carregam a morte

nas veias de suas mãos,

que anseiam por poder

onde pisam o chão.

Quem é essa que bate em minha porta?

Quem é essa que bate em minha porta?

Eu sou a poesia!

Quero entrar na tua casa, cear contigo, te chamar de amigo.

Posso ser doce como o mel

ou amarga como o fel.

Quero ouvir suas palavras

como quem na terra lavra

a semente do amanhã

de simples  palavras

como a flagrância da hortelã.

Na ponta dos seus dedos

acenda chamas

desenlace segredos

e renove esperanças

para que seu texto

não seja em vão

fazendo pulsar no compasso

do seu coração.

Ninguém é ninguém!

Ninguém é ninguém!

Pudesse estas letras

repousa-se no bolso de alguém,

não como dinheiro ou valor,

pois o bolso que eu falo é o do coração.

Ninguém é ninguém!

Porque ocupamos espaço na matéria,

não é o montante na conta bancária que faz alguém ser alguém,

você tem direitos e deveres, direito a vida, vota, compra, paga imposto,

isto posto,

faz você um cidadão,

sem retorno ou não.

O amor está de mãos estendidas,

se podes mover-se para receber

ainda é tempo de uma re-volução,

é preciso estar sensível para percebê-lo,

ele está presente todos os dias,

no vento que revolve seus cabelos.

Numa palavra suave que lhe toca,

não deixe seu coração fechar a porta.

Deixa-me levar teu coração

Deixa-me levar teu coração

Bela, eu te faço uma canção

Toda pra você

Te dou meu amanhecer

 

Bela, eu te faço uma canção

 

Deixei de corpo inteiro

Meu mundo em tuas mãos

Não me diga um não

Meu coração é sincero

 

Bela, eu te faço uma canção

 

Te dou o céu mais azul

Que já viste com teus olhos

Olhando de norte a sul

Não há nuvens nem atalhos

 

Pra ti dizer do meu amor

Que dou feito menino

Você é manancial no caminho

Água que alivia o calor

 

Bela, eu te faço uma canção

 

Minha flor de açucena

O sol de Ipanema

Não é mais belo do que tu

Minha Foz do Iguaçu

 

Bela, eu te faço uma canção

Engarrafamento

Engarrafamento

lento

os carros

mais e mais

aumentam

comprimidos

no gargalo

do trânsito

temerário

no tempo

que se gasta

marcha lenta

mais rápido

é bicicleta

o que nos resta

é um mar de carros

pra que presta?

um monte de ferro

sem sair do lugar?

Fastio

A casca do ovo se quebra.

Assim, que se rompe o invólucro

da célula do ovo cozida.

A manhã desafia a mim próprio

 

pra merecer mais um dia,

que me acorda nesta terça

que quer que meu corpo obedeça

a claridade da manhã que se anuncia.  

 

No estômago a sensação

de imenso e profundo fastio;

o radio toca uma canção

que faz aumentar o alivio.

 

Como devoro as letras das canções

que dizem da natureza,

me fazem relembrar emoções

de sensações de beleza.