O vinho da garrafa não enche o copo

No corpo que se desperta no dia

Vida que quase toca a ventania

Na manhã quase não olho o meu rosto

 

O sair na rua é um alivio

Os passos tropeçam em um desnível

Procurando por alguém minha metade

Os versos numa curva me invadem

 

Ouço o cumprimento do semelhante

Aliviando o coração tão destratado

Barco que flutua em um instante

As águas vão romper as nuvens em março

 

Tempo que circula num ciclo

Alternando estações nos meses

Mas, o clima saiu dos trilhos

Fazendo do céu em incertezas

 

Dos pólos vêm os ventos frios

Agora, nos fundamentos abalados

Hora chuva, hora calor exagerados

Coisas no incomum que não se viu

 

Os homens do clima fazem cálculos matemáticos

Eu por mim sou muito prático

O que for será, faça sol, faça frio, faça chuva

O corpo sente o bater do vento como luva.