A beira do asfalto no ponto de ônibus

No meu bairro tudo é o previsível

O ar fresco da manhã desliza

Sobre os corpos

E no pé de manga nascem ramos novos

Neste outono agradável

Tudo está pacato e interminável

No tempo que gira ao meu redor

E tudo conspira certezas

Comigo não há surpresas

Pois é um dia amavelmente aconchegante

Por isso parei para escrever estes versos

Neste instante

Onde a manhã paira

No ar

Dizendo que a repousante e persistente alegria das coisas

Anda

Move-se

Circula

Passa por perto

Até tocá-la

Pois a letra fria não fala.