O que me resta saber

          é o que me resta viver,

por um incessante deslizar do tempo

                        /tempo, tempo – vento, vento/,

vives solto por entre os Homens

           e não tem olhos que reparam em nada.

História ave alada,

          de repente dar-se uma guinada

e mudam o rumo das coisas

         /uma lâmpada que se acende,

uma lâmpada que se apaga/

         e a onda nos pega de surpresa,

de crise em crise

         o mundo gira

e assim se vive,

         com a cabeça cheia de números

transitórios;

         transitam pelos gráficos da economia,

onde cada curva pode ser um desemprego,

         um aumento de gastos no prato.

Prato feito de gordura ou secura

         das bocas avidas para sentir o gosto

do pão do dia-a-dia,

         como um canto de alivio

e um recomeçar a contar

         os dias no calendário

com planos no amanhã,

         porque os dias pedem vida

para aqueles sonhos armazenados.