Arquivo de maio 2012

Só o amor

Meu esforço de aprendizado de escrever

                                parece algo longínquo,

um olhar atento para o horizonte

             que se anoitece em um entardecer.

Quanto mais escrevo sempre, sempre

                                        surge algo novo.

 

Tento escrever coisas com teor

que sirvam tanto para mim

                             quanto para os outros,

 

sem incentivo,

  só a certeza de participar

      e deixar

          exprimido,

              que só o amor

                   pode transformar o mundo

                         e melhorar o que sou.

Sofrível Português

A despeito do meu sofrível Português

escrevo uns versos

mais uma vez

não estudei letras

ou talvez seja disléxico.

 

Nas redações repetia as palavras

distorções da linguagem

e assim mesmo eu ainda

quero estudar o Inglês.

Para quem sonha e vive

Para quem sonha e vive,

voa com o pensamento.

 

A vida se renova a cada manhã

não com a alegria vã

mas, com toda força

dos músculos

com toda certeza incerta.

 

Habitamos no mundo

com a atitude alerta,

pois a vida não espera,

os atrasados veem o bonde

passar,

mas,

neste jeito brasileiro

que tenta acolher os atrasados

a mão quer ajudar.

 

O ar em nossos pulmões

aspira o futuro

apesar do escuro

na noite da ignorância.

 

Na manhã a janela

se abre

e vislumbramos

um canto do céu,

enquanto estiver

em nós

a lembrança

que o tempo

o mundo

gira,

caminha

a passos largos

no bem e no mal

que faz

debaixo do firmamento.  

 

Mulher lavadeira

Mulher lavadeira

Lava e lava

A roupa inteira

A água da bica

Bolhas de sabão

Torce e ficam

Estiradas no cordão

O seu corpo

Magro

Cheios de músculos

Contraem-se

Nos lençois

De luxo

Cantigas

Não há

Só o vai

E vem

A esfregar.

Quando a noite cai

Quando a noite cai

ilumino-te com minhas letras

que vão ao céu que vai

cintilar cheio de estrelas

 

Infinidades de ondas

como céu de Van Gogh

vejas a tela e olhas

vagas feito odes

 

Cores que cintilam

e quanto mais forte brilham

sobre a luz do horizonte

porque o hoje se formou ontem

 

Daqueles que lutaram

e deram o seu sangue

e sem medo falaram

a verdade longe.

Baía da Guanabara

Não gosto da expressão: “do outro lado da poça”.

Baía da Guanabara

é o estimável disser.

 

 

É poluída sim, mas não justifica tanto desprezo.

Poça é esgoto,

poça é buraco no chão,

poça é inutilmente, desprezar.


Estamos em uma bela Baía

que o Português confundiu,

num Janeiro,

não menos louvável por um Rio.

 


Partir

O partir é sempre uma despedida,

o que se fez merecer desta vida.

Arrumar as malas e nas pessoas amar,

e no futuro rever em esperanças

pra trás o que ficou, e o caminho olhar.

Seca

No caminho

da estrada

se ouvia o silêncio

um preá atravessava correndo

os urubus voavam em circulo sobre a carniça.

 

O seco sertão

se mostrava escaldante

a terra maltratada permeava as nossas vidas

a água do pote vinha da cacimba

 

à noite

o céu

se pintava de estrelas.

 

E a seca persistia

o seco açude

com lama de agonia

onde os animais

sedentos

bebiam

a água barrenta que sumia.

 

Eu sonhava a noite

olhando o céu

com um futuro de brilhos verdejantes

hoje

nas ruas

ouço os autofalantes

e os outdoors que anunciam

liquidações de produtos e férias em hotel.

Nada sei

Nos altos da consciência, mergulhei

nas águas da simplicidade,

tirei a impureza de restos de arrogância,

soltei um passarinho do coração de minha infância,

sem esperar nada mais,

sem violência,

sem maldade,

só a consciência que nesta vida nada sei.

Passa, passa como um rio

Passa, passa como um rio

os anos de nossa existência,

pensar e ter consciência

do que nossa boca sorriu.

 

Nos meus passos tem devagar

todo sentimento do mundo,

mundo moribundo,

preso e solto no vácuo sem ar.

 

Sob a luz de ondas e partículas

que se desviam pela gravidade,

a tudo nos invade

até no espaço de uma vírgula.

 

Pobres palavras querem conteúdo

que saem no torcer da pedra,

pingando água e tudo

pra se fazer verdadeira a letra.

 

Letras formam palavras

que o pensamento cava,

plantando uma árvore,

antes que se escureça

                  – e seja tarde.