Arquivo de junho 2012

Sentimento

As palavras ecoarão

no clarão

da luz

que se renova todo dia,

embora a frieza dos números

que abafa e desanima a quem deveras não merecia.

 

Vejo a noite

o luar

que faz as mentes

meditarem

no tempo que já vem e o anos que jamais retornarão,

porque os versos andam e vibram na emoção

mesmo que digam

que é inútil

e

silenciam.

 

Como não devolver o brinquedo caído de uma criança?

No olhar o brilho do sol latente

de esperança.

 

Por mais que subam e desçam

as marés,

como definir a vida

e o chão sob meus pés

se mal sei definir a mim mesmo.

 

Só o que resta é o sentimento,

o sentimento sem medida.

 

A felicidade

A felicidade

vai inundar

a cidade

num tsunami

silencioso.

 

E pegará todos de surpresa.

 

Não faltará nunca mais

o amor em cima da mesa

e soarão desde os céus

as trombetas.

 

Chegará de madrugada

e amanhecerá tudo

como era na infância.

 

Apagarão

de uma só vez as mentes com malicia,

os conhecimentos

dos sábios pessimistas

e a vida será uma cantiga de roda.

 

Os contidos e os fechados

falarão,

chorarão de emoção

ao ver que já não há mais falsidade

e daremos gritos

de alegria e de louvor,

porque chegou de repente

o amor.

Versos vividos

Nada mais verdadeiro

do que versos vividos

vividos por inteiro

versos sentidos

 

É quando se infla o peito

e a mente e o corpo sentem

faz-se assim uma semente

pra que palavras surjam com jeito

 

Nada mais verdadeiro

do que versos vividos

e assim caiam nos ouvidos

 

com o sentimento inteiro

de quem já vivenciou

ou com a alegria ou com a dor.

Açaí

Nas tardes de sol a largo

onde o cansaço toma conta

meu mundo inteiro desmonta

no ponto do ônibus

vou direto no sair

da tarde

refrescar meus olhos

no suco do açaí

saudável mania

o suco do fruto

da Amazônia

com granola e amendoim

tônico

pra mim

riqueza

que o Brasil tem

gelado ou como for

em toda parte

virou gênero de arte

o fruto do amor.

Desrazão

Às vezes sinto em mim um ser errante,

a mente ora calma, ora se espante,

pensamentos atravessados

que deixo pularem estremecerem,

fiquem espalhados

num mundo de carências do ser.

 

Sufocar o carente grito,

que de repente deixa o espirito

imagens,

paisagens,

quebra-cabeça

desmontado,

que nunca se acerta.

 

Em vão aconteça

no vagar da mente, com vultos que não se acham,

num apagar e acender de neurônios

que não vejo em mim a razão,

 

para depois em eu ficar cerne,

pois só geram em mim a ilusão,

que evaporam

quando sinto,

que é a mente em desrazão,

agita-se e se finge.

Só pra dizer

Canção pra dizer

coisas do eco da vogal

que em meio ao eterno grito,

dizem:

 Ah! cidade de ar imortal!

Eu sou o teu espirito!

Eu subo em tuas montanhas

Eu navego em tua Baía

Eu corro em tuas praias

Eu desenho em tuas curvas

Cidade não há outra como tu

Montanhas, mar azul

Corcovado

Ipanema

Copacabana

Maracanã

Mal cabe em um cinema

Eterna

Ontem, hoje e amanhã!

Do progresso

A cúpula da Rio+20

Reúne-se

Enquanto cem mim pessoas

A 40 km distantes

Protestam do acinte

 

O poder está nas mãos de poucos

Atores

Enquanto

Os tratores

Do progresso

Removem

O excesso do lixo

Dos escombros

Que pesam sobre os ombros

Daqueles que não se comovem

 

O povo fez o seu papel

Enquanto a terra não alcança o céu

 

De nada adianta pintar o rosto

Mostrar o corpo

Gritar com a voz rouca

A quilômetros de distância

 

Pra depois refazer as malas

E voltar tudo como era dantes

No quartel de Abrantes.

Abstrair

Meu cotidiano

faz planos

pra não ficar atrás.

Não digo a ninguém:

Tanto faz!

Digo a mim mesmo:

Sossega, sossega!

A pressa!

 

Se faço algo errado

reconsidero

pra que o errado não fique a esmo,

um navio em alto mar

ancorado

extrato

pra que não fique a vagar.

 

Eu não estou só

porque há dentro de mim

o pó

dos meus sapatos

onde andei

e quase me afundei

no abstrato.

 

Abstrair da vida

o que não tem medida

como

a fé e a coragem de viver

pra não ter, mas ser.

Não digo não ao sim

Não digo não ao sim

Só digo o sim ao não

 

Porque pra mim

Pode ser o principio do fim

 

Começando pelo inicio

Inicio de algumas palavras

Que ao soletrar geram falas

 

Não digo não ao sim

Só digo o sim ao não

 

Mulher bela

Cintura de violão

Quero roubar teu coração

Quero que montes na sela

E corras com o alazão

 

Minha pele permeia

Desejo por uma sereia

Que nade em minha frente

Docemente

 

Não digo não ao sim

Só digo sim ao não.

 

Porque pra mim

Pode ser o principio do fim.

O que seria do mundo sem a música?

Num programa de televisão

vi uma mulher que chorou

ao Indagar o repórter

comovida:

O que seria do mundo sem a música?

(Era a apresentação de caixas de músicas antigas)

 

O mundo sem a música

seria como florestas desertas

sem os cantos dos pássaros

como cinema mudo sem trilha sonora

seria como um vácuo na garganta

triste

vazia

apatia

noite

sem luar

um navio fantasma a naufragar

 

pois a música é a manifestação da vida

vento mudo seria

a apresentação do dia

de nada valeria

o som de um nascimento

só o lamento

ecoando no fundo

de uma caverna

 

seria o vazio

frio

e deserto.