Arquivo de julho 2012

Ver

Ver, um revoar de pombas e rolinhas,

sorriu para mim no despertar da manhã.

O bairro despertou nas ruas e esquinas.

O sol aquecendo o meu corpo

na alegria que entra sem esforço

nesta manhã de inverno.

Os políticos com seus ternos;

desvio os meus olhos dos cartazes

e olho a barriga de uma grávida,

dizendo-me que a vida não acaba

e a esperança faz as pazes

com o amanhã.

 

Nada melhor do que ter uma sociedade educada,

porque o amanhã gestamos no hoje.

Na atitude presente

contribuir no que pode.

O amanhã nunca acaba.

 

Sina

Não entendo o que poderia

um ser humano

cometer uma chacina,

se é o escuro da morte

ou o sangue com adrenalina.

 

Se é o desejo de se sentir forte

covardemente por trás da arma,

na mente doentia na psicopatia

numa sociedade onde se compra

armas na esquina.

 

Vivemos num mundo onde há

psicopatas no poder,

com armas químicas e biológicas,

na lei da lógica da carnificina,

que aflora no animal humano.

 

Deveria ter a vergonha da sua sina

de ser chamado de animal.

Não acho que a vida é obra do acaso

Não acho que a vida é obra

do acaso.

O desencadear dos acontecimentos

são construídos por nós.

São nossas escolhas que deflagram

os acontecimentos.

 

Um abismo chama um mal atroz.

 

Caridade, fé e esperança!

 

Caridade ou amor reflete

                                             rima – flor.

 

Fé dependendo do tamanho gera algo

pra se tocar na escassez ou abundância.

 

Esperança renova o crer no sonhar,

desencadeia a chama no olhar,

multiplica os sentimentos no pensamento

e o coração bate

num desenlace,

na vida tão simples para viver.

 

Nós que damos nós cegos

para nos proteger.

O inverno carioca é inverno gostoso

O inverno carioca é inverno gostoso,

na noite fresca e fria

o cobertor caloroso.

E as pessoas mais agasalhadas sem sol.

O variar da temperatura é uma constante.

As ruas na noite vazia,

levanta o murmúrio

do levantar na manhã

para o batente.

Chuva fina

molhando o asfalto aquecido,

acumula as almas das gentes.

Gente carioca acostumada ao sol

saliente,

porque por mais que o frio recolha,

o coração carioca

é

quente.

Sementes geram novas sementes

Sementes geram novas sementes,

querendo ou não, somos semeadores

do que temos nas mãos.

 

Um grito de perdão

para os dissabores

porque é certo que não colhemos

só flores.

 

O mundo rodeia-nos em movimento

um resultado que não saiu a contento

e giramos nossos planos

para futuro.

 

-O ponto futuro para o passe de bola

certeiro-

 

Nosso coração se alegra mais

não como somos o primeiro

mas quando somos úteis

pelo o esforço do suor recompensado

quando tiramos a mão do cansaço.

 

E o pássaro da alegria voa, voa

veloz no espaço.

 

Chove na noite de inverno

Chove na noite de inverno

com seus uivos,

seu sopro frio.

As pessoas em seus recônditos lares…

Sopra

o sopro

no espaço vazio.

 

Uma xícara de café quente

esquenta as estranhas;

me faz tudo claro e iminente

para uma manhã fria e nublada

cinzenta no espaço céu,

frente fria,

massa polar,

que não desaqueça o meu lar!

Porque o meu lar é onde reclino a cabeça

até que o dia amanheça.

Um passarinho

Um passarinho morto estava

dentro do balde com água.

O passarinho de olhos cerrados,

não sei se morreu afogado.

 

Um passarinho a menos no céu,

o caminho destes animaizinhos alados

onde suas almas voam no azul,

azul o mar do céu estrelado.

Sombra

Tomba a árvore centenária

tomba o refúgio das aves

                                – sombra

refresco dos homens que andam

bole na natureza

para plantar um latifúndio

chora a ave de tristeza

o canto mais puro do mundo.

 

Arrasta o trator a corrente

derrubando tudo pela frente

fica a terra nua

como onça sem pele

como rastro de sombra crua

o caminho dos animais

apaga-se de repente

a gota d’água que pingava

ficou seca não há mais

o jatobá, o cambará e itaúba

e a terra preta de cinzas

como as vestes de viúva.

Burocracia quem é que te faz?

Burocracia quem é que te faz?

Quem é que te cria?

Será a dificuldade de descomplicar?

Ou será o medo no dia a dia?

Porque é no dia a dia que se vive

no protocolo de se chegar a algum lugar.

No posto do INSS da Praça Seca

há um jardim de plantas verdes

onde tartarugas vivem sua rotina;

elas são mais rápidas em muitas vezes

do que um simples resultado que se espera

na aprovação no fazer e desfazer,

porque a porta se fecha

se não tiver o carimbo da burocracia.

Partícula de Deus

Subam versos subam

Sobre o pôr do sol

Com versos simples

Pesquei a alegria com anzol

No terminar do dia

Joguei fora a apatia

Num jeito a deslizar

Pois não chego a esses exageros

De quem chega a meditar

Sobre tudo que há

A mão de Deus pintou o dia

Para quem para e olha

Ao longo da orla

O vento sopra e bate

Segredos do universo

Onde debruçam as ondas

Molhando as praias

Infinitos grãos e partículas

Cada grão um letra

Unidas formam versos

Que dizem que a partícula de Deus

Está em toda parte.