Tomba a árvore centenária

tomba o refúgio das aves

                                – sombra

refresco dos homens que andam

bole na natureza

para plantar um latifúndio

chora a ave de tristeza

o canto mais puro do mundo.

 

Arrasta o trator a corrente

derrubando tudo pela frente

fica a terra nua

como onça sem pele

como rastro de sombra crua

o caminho dos animais

apaga-se de repente

a gota d’água que pingava

ficou seca não há mais

o jatobá, o cambará e itaúba

e a terra preta de cinzas

como as vestes de viúva.