Arquivo de agosto 2012

Surgiu no horizonte

O céu pintou-se em cores

uma perna de arco-íris

surgiu no horizonte

por sobre os montes

 

As casas penduradas no morro

ficaram bonitas

sol e nuvens renderam graças como artista

pintando o céu, terra e nuvens 

do colorido mais belo

porque é natural

a natureza render-se num momento em cores

 

Bela a magia num entardecer pluvial

 

O céu que dá graças a terra?

Ou é a terra que dá graças ao céu?

Cada um

Eu toco um instrumento

que ressoa nos olhos

e no coração

de pessoas que sabem

que a canção

ecoa em cada um

que busca o bem.

 

E sabem que somos

como moirões de cerca

fincados no solo

com poemas soltos

embalados no colo.

A manhã

A manhã

desperta

 

as pessoas

se apertam

ao entrar

no ônibus

 

no caminho

uma árvore

no asfalto

caída verde

 

seus ramos

no chão

 

tem presa

meu coração

no nascer do sol

 

voam as horas

 

o trabalho

é com as mãos

se movem

encaminhando

o destino

 

meus olhos

veem o lume

que o corpo

busca

matutino.

Céu nublado

Por lugares distantes eu vaguei

onde só os pensamentos alcançam,

tentei,

sofri,

persisti,

num mergulho solitário

e o futuro não abria as portas pra mim.

Julguei-me ultrapassado

pelas vias do tempo

como num navegar no oceano

numa noite de céu nublado sem fim.

 

Enquanto meu coração pedia ajuda

a nevoa do vazio ofuscava meus planos

mas, como a água quebra a pedra na natureza

eu tinha a certeza

que as asas da perseverança

iriam me levar

a qualquer lugar

onde possa descansar meus pés

dos caminhos pedregosos

e assim nesta estrada sem volta

iniciei um recomeço sem revés.  

Solidão é um gigante

Solidão é um gigante

que desafia os corações sonhadores

como um vulto no meio da cidade

que na noite mostra sua face tosca

aumentando e iludindo com dissabores

desaparecendo na manhã tão moça

os meus passos tem pelejado

apressam-se ligeiros

da flecha e da lança

e assim vou nessa contra dança

rodopiando a pedra que afunda

na testa do gigante

que cai ao solo

levantando poeira

nos meus olhos

porque minha mão é guerreira

não cessão nenhum instante

na teimosia de sonhar a vida

no que não tem medida:

amor.

Passageiro

Um par de asas aladas

Pra voar

Sobre a Presidente Vargas

Acima do congestionamento

Antes que anoiteça

E os subterrâneos pensamentos

Escureça a noite

A pressa de chegar nos corpos cansados

Um passageiro do tempo

A cada segundo bate meu coração

Por um recanto seguro onde descansam as aves

O vento sopra canções

Pedindo transformação

Que o trânsito faça as pazes

Com as ruas

Que já esgotadas pedem pra passar a vida.

Um rastro de luz cruzou o céu

Um rastro de luz cruzou o céu

Era um cometa?

Um avião talvez?

 

O fato é que algo cruzou o céu

e ninguém se deu conta

dentro do ônibus

onde as pessoas olhavam pra si mesmas

ocupadas com os celulares.

Eu sou uma nesga

nesse retalho urbano,

 

sinto-me mais um que deseja

aprender e aprender…

 

Qualquer País ou empresa

nesta vida

que

não valorizar o Homem

as traças os sucumbem,

porque o capital

humano

vale mais que o vil metal.

 

Há um muro

Parti como relâmpago para o interior

do ônibus.

 

Fiz vagarosamente planos pro amanhã.

É preciso enfrentar a escassez e a frieza dos números

e confiar nos nossos atributos.

 

O calor das entranhas e os sonhos não morreram,

não adianta o soco no muro.

Derruba-lo é preciso!

A razão que alimenta o juízo.

 

Há um muro,

entre os descasos, a força da máquina que derruba o fracos,

e nossos anseios mais puros que palpitam no alvorecer da manhã.

Mesmo que o trabalho seja e pareça rotineiro,

fazer o melhor possível desde as pequenas coisas

e não confiar nos acasos.

 

A força dos infortúnios

nos pegam de surpresas.

As ondas do capitalismo voraz nos pegam com suas empreitas.

Inundam nossas vidas.

Não quero aqui fazer versos irracionais

com devaneios num mergulho insano.

 

Quero simplesmente dizer que os planos e os sonhos

são precisos e necessários,

para que a via desta vida não nos deixe para trás.