Parti como relâmpago para o interior

do ônibus.

 

Fiz vagarosamente planos pro amanhã.

É preciso enfrentar a escassez e a frieza dos números

e confiar nos nossos atributos.

 

O calor das entranhas e os sonhos não morreram,

não adianta o soco no muro.

Derruba-lo é preciso!

A razão que alimenta o juízo.

 

Há um muro,

entre os descasos, a força da máquina que derruba o fracos,

e nossos anseios mais puros que palpitam no alvorecer da manhã.

Mesmo que o trabalho seja e pareça rotineiro,

fazer o melhor possível desde as pequenas coisas

e não confiar nos acasos.

 

A força dos infortúnios

nos pegam de surpresas.

As ondas do capitalismo voraz nos pegam com suas empreitas.

Inundam nossas vidas.

Não quero aqui fazer versos irracionais

com devaneios num mergulho insano.

 

Quero simplesmente dizer que os planos e os sonhos

são precisos e necessários,

para que a via desta vida não nos deixe para trás.