Arquivo de outubro 2012

Não desistas

Em meio ao “silêncio” da cidade

ouço um grito…

 

Só ouvem os solitários

cercados

na multidão.

Teu caminhar

e com ele buscar

um alicerce para esse chão.

 

E dos teus sonhos

não desistas

não são poucos os que sonham contigo

mesmo que seja enfadonho

a arte de viver revelando:

o que em tuas mãos exista.

Poema camaleão

Poema camaleão

Pense em uma cor!

Imagine o céu pintado assim!

 

Pense em outra cor!

Imagine com essa cor o chão!

 

Pronto, acabas de pintar um quadro

com teu pensamento.

 

Agora é só acrescentar complementos:

nuvens, lua ou sol,

uma paisagem com vegetação.

 

Assim são os poemas:

-Tu pintas o quadro que imaginas.

Rasga o sol

Rasga o sol na estação das chuvas

e o brilho quente que transpassa as nuvens.

Trovoadas

eu ouvi.

Vento que carregou as folhagens,

o calor chegou e estacionou.

A maneira do carioca

andar de pouca roupa

e guarda-chuva voltou.

Se é primavera ou não:

o horário é de verão.

Seres especiais

Quando menino via as mulheres

como seres especiais

agora depois de adulto

não mudei de opinião.

 

Guarda as mulheres

na flor de suas peles

todo o nascedouro do futuro

o poder

de transformar

tudo que se apressa duro

numa forma de amenizar

o que era ferro em doçura

o ferro do dia-a-dia

na vida turbulenta

que a rotina nos traz

naquilo que o Homem fez, faz e fazia.

 

Pressa

A cidade às vezes se mostra cinza

como cinza são as nuvens de tempo fechado

num vago

e

profundo vazio

quebrando a primavera o seu cio

onde o borbulho

dos prédios

dos carros

e a pressa

a pressa!

inadiável e compungida

no buzinar pra passar

a vida na irremovível pressa

nas cidades inchadas a cada dia

 

e a luta dos sonhadores

que buscam tecer e transformar

a vida

digna e bela

no mundo

esta grande confraria de incertezas.

Render-se

Não procures a poesia com afoiteza

deixe que ela chegue e faça em ti morada

a poesia palavra dada

existe em qualquer parte

onde a palavra vira arte

simples e pura

mesmo em coração pedra dura

rende-se a simples via

o caminho traçado em forma de poesia.

Pureza

A força dos acasos

Buraco raso

Meu passo não erra

Tudo coopera

Pra quem busca o bem

Vem, vem e vem

 

Domingo matutino

Força de menino

Que olha a vida

Como da primeira vez

 

O ônibus na avenida

Num apertar de corpos

O povo não se importa

A quem o aperto de mal não fez

 

Ah como eu gostaria

De ouvir músicas cor verde e azul

Um chorinho cheio de alegria

Que agradem os olhos do ouvido

Nos compassos que tragam o céu

 

Alma de menina

Da pupila cristalina

Sorri o rosto nas nuvens.

Sorrir

Sorrir para alguém

espontâneo sorriso

é o que preciso

para me sentir bem

 

Antes que o momento

vá embora

o que a face demostrou na hora

tudo que ebuliu do sentimento

 

Sorrisos tantas vezes repetidos

o que eu tinha sentido

a alegria repartida com você

só me resta o teu sorriso rever.

Menina Afegã

A menina Afegã

O famoso retrato da menina Afegã

O olhar de olhos claros

Retrata o ardoroso viver caro

De guerras, rituais a ferro – o talibã

 

A face séria

O olhar como de surpresa meio espanto

O vel da guerra

Injusta e inútil

O reflexo espontâneo

Da menina que em um segundo levou fama

Fama que não amenizou suas dores

Garota da flor de água doce

 

 

 

 

 

 

 

Apagão

Sobre o telhado e o chão

caiu um temporal de sol

e na noite a escuridão.

 

A luz direta a aquecer o dia

apagão da primavera guarda-sol

quem me dera poder ser ventania.