Arquivo de novembro 2012

Vê! Passou mais um ano

Vê! Dezembro desponta

O ano desfecha em compras

Promessas de planos…

Vê!

Você

é feliz ou está feliz?

Voo de menino

Viajar de trem pela primeira vez,

horizonte que nunca chega,

casas tocadas pelos olhos talvez

antes que a vista não alcance e se perca.

 

As estradas que outrora percorri

de tão vagas as lembranças,

sonhos que sonhei em minha infância

que a roda dos tempos não fez destruir.

 

Tempos da baladeira certeira,

acertou o pobre passarinho;

vagando em meninices brincadeiras

de remorsos de coração de menino

 

de brincadeiras de impulsos,

lembranças de ingênuos vultos

de olhar de criança ao pôr do sol,

ave que some ao horizonte em voo.

Quadrinha

A casa dos meus sonhos

não tem sotão nem porão

a casa dos meus sonhos

palpita em meu coração.

Uma ponte

Das mulheres guardo os mais doces carinhos,

um sorriso, um afago,

 palavra de acalanto.

Se não há isso, um ser postado no canto

da parede os mais cortantes espinhos.

 

A solidão que assola por dentro das entranhas

faz de mim homem criatura estranha

sem a flor de pétalas de seda,

sem que o amor no afago interceda

 

na rota da vida que se encaminha,

o mais triste deserto sem fonte.

Mulher tu és uma ponte,

que atravessa o rio de mundos que se avizinham.

 

Uma terra que só produz o pão,

outra que só produz o vinho.

images[1]

Sinal amarelo

Vi flores amarelas a enfeitar um muro,

lembrou-me que é primavera,

quando em frente, o sinal abre,

quase não mostra a luz amarela.

 

Na largada o pé acelera

deixando pra trás o horizonte

de coisas que não se repetem,

sombras diluídas no ontem.

 

No calendário voaram-se as folhas

da palavra não externada.

Passou, minguaram-se as escolhas:

o não dito da boca calada.

 

 

 

Na Copa

    Escutei no rádio que um instituto Inglês, alguma coisa Morgan, baseado em cálculos matemáticos, prevê resultados das seleções na Copa do Mundo.

     Mas que engraçado! O futebol ser baseado em cálculos, cifras e equações.
     Porque o futebol é como fazer uma canção.
     É intuitivo e inspiração.
     No mais de sua simplicidade tem geometria. Triângulos retângulos, hipotenusas.
    No circulo da bola, no suor da camisa.
     Vagueia o contraditório, o quase ir e não ir.
    Cálculos espontâneos de um chute certeiro.
    É reta curva de um gol.
    De ímpeto exato  na perfeição de um passe. Pura emoção!
   E x p l o s ã o! A alegria na vitória do dia em ser vencedor.
   Comandos perfeitos do técnico, de um capitão.
   No estribilho do apito de um juiz, nos seus erros certos para a torcida.
   Na busca incessante de vencer, vencer…
   Futebol também é vida!

Vastidão

Vastidão do ocaso do sertão

Ver as serras no horizonte

Colher o tempo na mão

Angustia de quem vive solidão

 

O ar vento fresco da noite

Sopra no balançar da rede

Pendurada na parede

Dia pisou o seus açoites

 

Cavalo arisco levanta poeira

Descansar o pé na esteira

Cansado pela cavalgadura

Vida que passou mais do que dura

Entre os carros o camelô grita

Entre os carros o camelô grita:

Água!

Água mineral!

 

No sol que abrasa

num entra e sai de passageiros

o ônibus balança

freia

acelera

as motos pulam na frente

quase ao mesmo tempo em que abre o sinal

 

O trânsito cada vez mais acumulado

não se importa com o mensalão

as eleições americanas

na Europa a resseção

 

Com meu cansaço

cochilo

mesmo com o sol que bate em minha cara

 

A rotina prossegue

no caminho

que raspa o asfalto

veloz o relógio:

nada

nada intercede

 

Até que a engrenagem

gasta

nefasta

do progresso

seja incapaz de prosseguir

e o existir

se torne incapaz

do sustento

 

Esgotaram-se os abusos

dinheiro já não bastará

o supermercado já não terá

suporte pra tanta ânsia de viver.

 

Face do planeta

Olhar a vida nos olhos

ver o teu reflexo refletido

de repente se torna entumecido

pela lágrima que escorre.

 

Ao longo da face do mundo

a força que nos implode

ao ver que a natureza

do homem e mundo

é cada vez mais estranheza.

 

Desprezar a própria casa

que nos acolhe

cada vez mais inseguros

sobre a face do planeta.