Entre os carros o camelô grita:

Água!

Água mineral!

 

No sol que abrasa

num entra e sai de passageiros

o ônibus balança

freia

acelera

as motos pulam na frente

quase ao mesmo tempo em que abre o sinal

 

O trânsito cada vez mais acumulado

não se importa com o mensalão

as eleições americanas

na Europa a resseção

 

Com meu cansaço

cochilo

mesmo com o sol que bate em minha cara

 

A rotina prossegue

no caminho

que raspa o asfalto

veloz o relógio:

nada

nada intercede

 

Até que a engrenagem

gasta

nefasta

do progresso

seja incapaz de prosseguir

e o existir

se torne incapaz

do sustento

 

Esgotaram-se os abusos

dinheiro já não bastará

o supermercado já não terá

suporte pra tanta ânsia de viver.