Arquivo de dezembro 2012

Pequenas coisas

Às vezes eu me vejo a procurar por mim mesmo no espelho

e ver os meus olhos que percorreram estradas

que o tempo, o vento apagou.

Abrir trilhas, andar milhas eu vou.

 

Minha mãe, num tom de lamento,

relembra as mangas que ficaram no chão

num tempo mais lento

na sua casa no nordeste.

 

Quanto mais antigo, mais fresca

a memória do passado

e das pequenas coisas

juntas contam os sentimentos.

 

Há de se fazer um novo cântico!

Há de se esquecer do pranto!

Há de se brotar um renovo!

Há de se pensar nisto todo dia!

Nasceu redondo e vermelho

Nasceu redondo e vermelho

no fim da estrada,

no céu por sobre as casas.

 

O ano novo vem queimando.

Janeiro vem junto com o verão,

quarenta graus a queima roupa,

sol que evapora o chão.

 

E as pessoas pedem água

porque seus corpos gotejam,

bronzeado brilho nos seus poros,

mais água do que carne e músculos

o fruto da água e terra.

 

Água,

terra

aquecida,

sol que abrasa.

Ventos

são asas

que batem

e rebatem

as nossas vidas.

Vou repensar minha poesia

Escrevi muitos versos

sobre diversas coisas,

onde minha visão de mundo

de forma empírica

saiu do fundo,

na tristeza e alegria.

 

Vou repensar minha poesia.

Mas vou escolher alguns versos

pra publicar um livro

que anunciarei quando for impresso

e publicado.

Vai ser um sonho

que vai ser realizado.

Velhos armários

Na volta pra casa

o abafado mormaço

o cheiro de chuva no ar

e tocar

com as mãos

com os dedos o tempo futuro

abster-me das agitações

da euforia vã

e a onda do comércio

propagandas

em ondas

na tv

na internet cara

entre falas de clichês

vazios

nas mentes que não veem

que se comemora é o nascimento

do homem que mudou o tempo

calendários

guardados em velhos armários

que ainda duram

e perduram

nas mentes

que não tem tempo de pensar em amar.

MP900443450[1]

Ventos de justiça

Sou metrópole

Sou sertão

Sou ventos

Da estação

Que vejo cruzar os montes

Da Europa ao Afeganistão

 

Sou o norte

Sou o sul

Cruzo os mares

Das ondas mais azuis

 

Sou justiça divina

Não há sombras que te escondem

Desigualdades à surdina

O povo que as apontem

Quero o hoje não o ontem

Já cruzei esta ponte

 

A maldade tropeça nos próprios pés

Pois deixa seus rastos toscos

Que clamam até os céus

 

Um latido de um cachorro

Que avisa de repente

O cheiro do perigo eminente.

Versos

Versos, versos, versos

venham até mim,

meu coração olha inquieto,

talvez este sim

que caiu como chuva no meu teto.

 

Adoçante açúcar no café

que prefiro beber puro,

como pura é a vida pra ser

nesta vida menino maduro.

 

Não sei nada, disso eu sei!

Como os versos que escrevo

e escreverei.

 

Porque quem sabe:

É saber querer

coisas do coração.

 

Ventos, sons tocam,

como tocam

o silêncio com seus sussurros,

alguém na quitinete cercado de murros.

Sustento do mundo

O simples

e o profundo

tem todo o sentimento

do sustento do mundo.

 

O sustento não está

em intrincadas fórmulas,

mas como no colher e semear

dividindo em simples formas,

do divino sentimento humano

cujo nome é amar.

 

Servir para ser servido

na inter-relação

comunhão

o pão dividido.

 

Entender que uma vida,

embora a mais simples:

pode a alma ser enriquecida

e marcar este mundo pra sempre.