Arquivo de março 2013

Como uma porta

As vezes ficamos de um lado pro outro

como uma porta

presa pela dobradiça

porque a saída

é sempre a mesma

apesar de pelejarmos

para não ficarmos

na mesmice

solução repetitiva


É preciso abrir novas

janelas

com novos horizontes

porque apesar dos montes

que se repetem

e cansam nossas

pálpebras adormecidas

sempre há

um lugar

um canto

entre tantos

caminhos que nos perseguem.

Ao digitar

Meus dedos tentam escrever versos

que surgem no pensamento

ao digitar

sem meditar

só o que a mente ebule

o café no bule

ou cafeteira

numa quinta-feira

de resto de semana

que ata e desata nós


Em cada criatura humana

o sentimento

num vai e ir

porque o existir

é o vivenciar momentos

que vagueiam pela sala

andam no corredor

sentem o ventilador

e olham pela janela

o escurecer da tarde.

O amor tece antigas canções

O amor tece antigas canções

que o fôlego do vento

busca lento

saudades esquecidas

na ferrugem

do tempo.


Busco considerações,

busco o brilho

do olhar

de mulher

que eu possa tocar

com palavras

e gestos simples,

pois a vida é tão

simples

como o respirar

aromas,

odores odores

da estação

do lime.


Guardadas

em antigas lembranças…

-E vem a realidade e arranca!

Outono

Os extremos tomaram conta do tempo,

O frio do sul vai e vem,

tanto melhor para bem,

porque me alegrou na pele o vento.


Parece-me que não há o que regular

a brisa que vem nos corpos

e assim se alegram os que gostam do mar,

na cidade o sobe e desce dos termômetros.


A metrópole entre o mar e a serra,

incontestáveis são seus atributos

de beleza entre o céu e o chão.


O olhar não se cansa nem se encerra.

Carioca nascido entre Ceará e Pernambuco,

de onde trouxe um certo olhar do sertão.


Cataclisma

Um cataclisma, num apagar de luzes de estrelas

silenciou o universo inteiro de repente.

Emudeceu toda força das fortalezas…

Os governos não esperavam por isso, surpreendente.


Reuniram-se os chefes das nações,

que sem manhã, planejaram um mundo daí em diante.

Debateram, debateram em busca de soluções…

quando decidiram o que seria daqui pra frente:


Os tipos de governo, religiões e o povo

seguirão as normas dos que sobreviveram,

acenderão fogos e luzes por todo mundo…


Antes que o frio congele nossa pele…

e todos num júbilo constante orarão,

até os céus, pra que o frio (dentro de nós), não nos desintegre.


Sentidos

Na cidade

onde a natureza

privilegiou

e moldou nos séculos

de séculos de séculos

hoje na dureza

que a cada ano se repete

o mesmo cair do céu

a estação das chuvas

águas amargas

o rio que rompe o véu

das nuvens estendidas

caindo sobre

árvores e ribanceiras

as pessoas no sentir da pele e força

pedindo ao céu que as ouça

repetindo maneiras

de sobreviver

em cima

do fio

de risco

ao relento de noites

frias

na necessidade de refazer

o que foi perdido

em todos os seus sentidos.

Sentidos

Abri os olhos dos sentidos

os olhos

o paladar

o olfato

os ouvidos

escutei as águas de março

senti o cheiro das chuvas

no gosto dos dias eu me acho

mas os olhos nem sempre veem

o que querem

seguem imagens que se apresentam

e giram

manchetes no ar

vultos virtuais ou não

e quem

esmera-se estender a mão

em fatos rotineiros

ou inesperados

o vento passa ligeiro

pés molhados no chão

passam ruas

casas

calçadas

encharcadas

março passa molhado

marcando vidas

ou não.

Gaiola

Estou como uma árvore

plantada em um vaso.

Meu mundo virtual foi

invadido.


Pássaros presos em gaiola

pequena.

E o povo pede

esdrúxula

megasena.


O Papa se intitula

Francisco:

Diz que a Igreja

corre risco.


E onde fica

nossa vida

em tudo isso?

Fica presa

no sistema.


Livre expressão!

Até que fazer

poesia

vale a pena,

não?

Poesia

Deixa eu sentir

o teu aroma

de cravo e hortelã

debruçar no teu colo

macio

toda soma

do puro elixir

ouvir os teus versos

eu quero esta perto

de ti

poesia.

Acordar

Acordar de manhã cedo,

enchi a concha da mão

com água que refrigera

a torpeza no clarão

do dia.


Ouvi vozes já acordadas.

Acordo cedo

no cantar da claridão

o repetir de manhãs passadas,

a cama amassada,

arrumo sem sentir.


Na janela quase não dá para ver o céu

e o silencio da manhã

é tomado por rumores,

e no mundo se abrir

para toda atitude sã,

no dia anterior planejado.


Na chaleira

sobe o café turco

com pão que não costuma ser comprado.


Domingo, primeiro dia da semana,

há de se manter a chama

como ruas povoadas

e mal tratadas

de poeiras de construções

para abrigar vida

na cidade desmedida.