Arquivo de abril 2013

Antes de dormir

Antes de dormir,

tomo banho com sabão

glicerinado.

Não é nada de errado.

E o cachorro “negão”

cheira desanimado.

Simples opção,

ser limpo não custa

tão caro.

Lembro quando menino

esperava

minha irmã

passar horas

no seu banho perfumado…

E vinha um amigo:

-Vamos jogar bola?

Para mais tarde

limpar a poeira

num banho reclamado.

E acordar limpo

todo dia de manhã.

Nada, isto é nada!

São quase quatrocentas poesias

Que escrevi

O significa isto?

Tantas letras desordenadas?

Tantas manhãs

Tantas noites

Em momentos quase espontâneos

Nada, isto é nada!

Um simples começo de um poeta?

Meu domínio da linguagem é sofrível

Num querer desenhar com as letras

O que em mim se passa e passou

Pois só escrevo momentos presentes

Ou passados

Guardados no meu poder

De escrever

E tentar mover pensamentos

Que durem

Na memoria

Em linhas imprecisas.

A manhãzinha que clareia

A manhãzinha que clareia…

Não é um simples repetir de dias,

é um mundo que renasce.

Que passe e passe

as horas!

Eu tenho sorrisos de outrora

que o mundo girou no passado.

E alguém diz:

Ah meu Senhor!

Num espreguiçar…

Porque há coisas pequenas que o poeta

não deixa de lado.

Ó vaga penumbra!

Ó vaga penumbra!

Legião das sombras

que o domingo inunda

e o sono que afunda.

 

Num vale de impaciência

onde o nada se funde

em instantes da existência

que na música desmonte.

 

O que era letargia do dia

é um descanso recompensado

dos dias antes passados

termine na noite louvor de alegria.

No papel virtual

No papel virtual

o vazio na mente.

A vontade de escrever

consequentemente.

 

Não é natural

o mover!

 

De súbito cresce um mar!

Mergulho minha mão

no fundo,

dele arranco um olhar.

 

Tudo é empírico!

Tudo é natural!

Arranco do mar

o sal.

E Ficou fácil o difícil.

 

a si mesmo

O ser humano é o ser

mais adaptável do universo,

pelo que sei e quero crer,

adaptamo-nos ao deserto mais

hostil,

aos ambientes mais frios.

 

As novidades da informática

que torna coisas impossíveis

no mais corriqueiro na vida prática,

nos tumultos das cidades,

nos ônibus e veículos,

que engolem e cospem

pessoas das mais diversas

classes.

 

Só uma coisa que o ser humano

ainda não se adapta:

a si mesmo,

embora se tenha no seu cotidiano:

computador

internet

celular

televisão

que mastigam como chiclete.

 

Incutem

na violência da ignorância:

o mesmo erro!

 

Simples oração

Sedento ajoelhei-me

e fiz uma  simples oração:

pedi a Deus

mais compreensão

entre os Homens,

calor humano

que some,

mesa farta em cada

lar,

que os ecologistas

não deixem de lutar,

mais educação

aos jovens e crianças,

que nunca se acabe

a esperança,

que a luz que chega em nossa

casa

não seja de uma usina que arrasa,

mais vergonha aos

políticos,

porque é a humanidade

que corre risco,

que a honestidade

não se dilua como vapor,

que sempre haja amigos

sinceros…

que entre as pessoas

haja mais amor.

Aprendizado na dor

Os seus dedos tocarem o céu

da sua alma no seu corpo,

a sentir o sol ou a chuva

 

em todos os devaneios

dos desencontros,

o fel

do querer e não poder,

mas

poder querer.

 

O sentimento do ser

mesmo na dor aguda

e profunda,

 

um poço vazio,

não é estio,

é o sentimento da dor

que o faz sentir-se humano.

 

O mais difícil é fazer disso

aprendizado,

na certeza dos sábios,

o refletir

de um espírito renovador.

—————————————–

Porque a vida

não se resume

num espírito consumista,

como atirar o lixo

da janela

do ônibus,

como um energúmeno.

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O Menino Descalço

 

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Caça

Alguns anseiam em morar

em cidade pequena,

mas eu caço

no aglomerado

das pessoas

a vida.

 

Mesmo na pressa intensa,

isso me faz inspirado

nas trilhas das calçadas

eu me acho;

turbas e turbas pra todo lado

como uns ancestrais das cavernas

em busca da caça.

 

Eu caço palavras

que planto no sulco

da terra

do cimento armado,

linhas do meio fio.

 

Como alguém que olha

à margem

miragens

de sentimentos vadios.