Arquivo de julho 2013

Versos farei

Se penso em fazer versos

Versos farei.

Se vão ser lidos e ouvidos

Não sei.

 

Se penso em fazer versos

Versos farei.

Tornei-me poeta

Rude, médio e ingênuo?

Saberei.

Andando, andando…

Vejo na vida que prossigo

um cobertor que ora cobre os pés

ora descobre a cabeça.

 

Meu mundo, vivo no limite,

improvisando,

deslocando verbos

antes que a vida anoiteça

e não haja mais amanheça,

numa via paralela,

andando, andando…

Meio indolentes

As árvores erguem-se do chão

E delas descem folhas

Caem leves como bolhas

Adubando as sementes

Renascendo elas vão

Como os poemas que teimo

Renascendo, livres, soltos

Meio indolentes.

O mundo virtual cabe na tela

O mundo virtual cabe na tela

janelas janelas.

As janelas virtuais, não como

as de casa,

abri-las devagar,

e sentir na pele.

A virtual

é navegar

por um mundo de informações

em duas dimensões,

percepção de micro pontos,

percepção do ver e ouvir,

nada de sentir na pele,

nem os odores.

No mundo virtual somos observados

analisados

protocolados:

a trinca da janela

é feita de números

bits bytes

sites.

O mundo virtual aproxima, como afasta

em frases nefastas,

porque o tempo do tempo

não segue o pensamento.

E era bela

Sentado no banco à espera

do ônibus.

A garota senta ao lado.

Insinua-se.

E era bela

como bela é a flor.

Buscava o amor?

Como romper o silêncio?

Procurei trocar olhares,

mas ficou tarde.

Momentos do toque

entre  homem e mulher.

Ficou o querer.

Pensei comigo:

Rapaz de sorte…

Despertou a flor

do desejo

no meu ser.

De onde vem a poesia?

De onde vem a poesia?

Creio que surgiu com a linguagem

junto com a música melodia.

 

Música e poesia andam juntas,

onde o instrumento da fala

foi o inicio da música.

 

Retratando o trabalho, os feitos,

o amor,

vitórias de guerras,

a beleza da flor.

 

Juntando com a escrita

registrada e impressa,

momentos,

líricos,

fantasiosos 

ou verdadeiros,

fazendo mais rica a vida.

Entre manhãs e manhãs

Entre manhãs e manhãs

Descortina-se a luz do sol

Entre manhãs e manhãs

É belo o dia!

É belo o dia!

O pássaro que voa

Sem bússola de voo

Entre manhãs e manhãs

A polpa do fruto

De dia em dia

Alimentar os passos

Que vagam no escuro

Dos dias que virão

No outono

No inverno

Na primavera

No verão

É belo o dia!

É belo o dia!

Abelhas

É certo e conhecido

que

uma colmeia quando

se vê ameaçada

saem as abelhas

enfurecidas

contra quem

abusou

o limite

 

E o povo

têm seus limites

a qualquer momento

explode como dinamite

 

Quem subjuga

coloca uma pulga

atrás da orelha

que retorna

como abelha

enfurecida

 

Quem tem olhos

para ver

e ouvidos para ouvir

não se faz de desentendida

 

O povo

na multidão

age no que é

de direito

 

E o planalto

sente o medo

da colmeia

acordada

no asfalto.

Desperte-me o sol

Quero que a luz do sol

na janela

pela manhã

me desperte

 

Quero que o sol

do meio dia

me desperte

 

Desperte-me o sol

nas minhas veias

no meu corpo

como um batismo

que me permeia

 

E o disser:

bom dia!

não seja vazio

seja de uma pessoa

de um pássaro

de um mover da natureza

do céu

do sol

alegria.

Andar sobre uma ponte

Andar sobre uma ponte

da Barra da Tijuca

num domingo

ciclistas passam

o dia nublado

olho lá embaixo

peixinhos borbulham

na água

enquanto a cidade pára quieta

lagartas flutuam sobre os galhos

das árvores

a água do lago reflete tudo

ao redor

enquanto as nuvens lançam

pingos a marcar o chão

e a superfície da água

num turvo da tarde.