Arquivo de setembro 2013

Esta noite estranha

Esta noite estranha, onde

só se ouvia o gotejar do cano

da pia,

senti um estranho cheiro de abacaxi…

Pensei: Francisco, que há em ti?

Será caso do desejo?

Que a tanto pululam em minha mente?

Lembrei que antes de dormir,

nesta noite de insônia,

devorei uma banana;

mas fiz meu ritual antes de dormir direitinho…

Quando estudei ao meu redor:

isto é coisa do vizinho.

Meu mundo era pequeno

Meu mundo era pequeno

e também era grande

pelo saber como se tem.

No terreiro lá de casa

flutuavam animais

e o umbuzeiro como descanso.

Ansiava-se mais

do que um simples remanso

idéias de cidades

onde se tinha a escola,

a mercearia e os idéais

de uma vida digna,

o café, o almoço e o jantar de sobra,

para quem não é tão bem nascido.

E o destino de sonhar-se no sul,

carroceria de um caminhão

no passado adormecido

de mais um menino

nascido

nu.

Foge de mim a sombra da multidão

Foge de mim a sombra da multidão

que se desloca nos espaços,

que ri e chora ao mesmo tempo

como réstia em um momento,

como gente que pragueja

soltando

palavrão

escudos

de celular

individualista,

que aproxima o virtual

nada é caso para tal,

o simples some de nossa vista

onde a beleza de um ocaso

fica preso como planta

no interior de um vaso.

De manhã se ouve pássaros

De manhã se ouve pássaros

no quintal a chilrear,

a mudança brusca de clima

mexe com nossa saúde

sentindo na pele

o calor que se aproxima.

Mas os pássaros não deixam

de cantar

e cantam as estações

cheias de variações.

Nossos olhos na menina

percebem as cores do clima,

que nossos guarda-chuvas

esquecidos

carecem de ser renovados.

Mudar

Mudar, mudar, mudar

toda mudança tem algo de resistente

não é esperar uma corrente

de ar

e subir

como um parapente.

Nada de deixar a vida nos levar.

Há algo de sinistro na luta do dia-a-dia

que a fé e o sonho aliviam.

Os que podem ser pessimistas

não creem com esperança

esquecem que um dia foram

crianças

nas sombras de castelos

a sonhar.

Mesmo que seja numa folha virtual de papel

em branco.

Se não tem nada a dizer

inventa-se.

 

Grito

É como um grito

que a vida deveria ser eterna

como eterna que se gasta,

a montanha.

O ar em nossas entranhas,

e contemplar, contemplar

pelos olhos de cada um

a se sentir no olhar

o ar

que carrega o aroma da vida

e vai com o tempo

passageiro em movimento.

Solto um grito:

nas letras que se eternizam.

Ditadores

A curvatura da terra.

A terra é curva

como uma uva.

E o drama humano se parece

com um fabula de La Fontaine;

a raposa despreza a uva

por não poder alcançar.

A história se repete,

como homem preso sem poder

andar.

Mas a sabedoria quebra as correntes,

o destino poder traçar.

Inomináveis, inomináveis

guerras com suas sequelas.

No poder

ditadores que querem ser

um destaque na passarela.

Presumem serem os donos

da verdade.

E quando são depostos

nada, nada

de saudade.