Arquivo de outubro 2013

Folhas secas

Como umas folhas secas

que caem no solo

para serem dissolvidas

assim são a maioria de nossos

pensamentos

ao longo da vida.

Irrompe sobre os telhados das casas

Irrompe sobre os telhados das casas

um sopro

que sopra

por falta de afeto

sentido da vida

e nela contida

toda solidão dos objetos

que nos fazem virtuais

iguais e desiguais

por trás das parabólicas

como rios que desembocam

e fluem sem cessar

por todas as ruas

onde existem almas

em busca da palavra certa

despida e nua

de toda a superfície impressa

nos ouvidos

cansados de ouvir e de esperar promessas

não cumpridas

de um sistema corroído

que promete vida.

Do choro ao riso

Do choro ao riso

é minha mãe

no seu coração

incontido

 

Nesta mistura

de sentimentos

ora alegria

ora lamento

 

O seu corpo

cansado e recaído

um sono

nos seus olhos envelhecidos.

Fogo e fumaça

VI

O

    L

Ê

   N

C

   I

A

 

Atitude de

 

DE

   M

Ê

   N

C

   I

A

 

Mentes sem luz

               Fogo e fumaça

Que não faz jus.   

Como passarinho

Eu apego-me a vida

num galho de uma árvore.

A árvore são meus sonhos,

num resistente balançar

risonho.

 

E eu menino,

pousado,

como passarinho.

 

Como querer a liberdade,

como querer voar,

para sempre,

sem que haja no peito maldade.

A vida traça caminhos

A vida traça caminhos

que passados, já não se recorda mais.

O seu semblante muda com o tempo,

como rostos desiguais.

 

Meu mundo partiu-se em pedaços

deixados pelos caminhos,

o que outrora era um abraço,

hoje é água não é mais vinho.

Imprevisto

Quando o imprevisto

quebra o planejado

e agente se sente assaltado

do capitalismo voraz

a mão não alcança a maçaneta

da porta fechada

Impossível voltar atrás

 

A surpresa em desconserto

impele-nos no improviso

na substancia

de requer a bonança

o peso na balança

justiça pura e certeza

que o bom juízo

faça-se luz e clareza. 

Entra pela janela

A realidade virtual

entra pela janela

no perde tempo

e ganha informação

 

Como que se tenta

medir o vento

que se fabrica no ventilador?

 

E haja humano motor

na máquina perfeita

do pulmão respiração

 

Onde está o limite para o computador?

Canção de outubro

Outubro, outubro

Róseo, amarelo rubro

Quem pode contar suas flores?

Quem pode adivinhar seus amores?

Do céu a gotejar seu orvalho

Como vento a pincelar veloz a cavalo.

 

E da campina estende o verde cheio de cores

Flagrância do canto que descansa os meus olhos.

 

Cavalga ainda o vazio que persegue

Na garupa dos meses

 

Os dias do ano que passou

O córrego que minguou

Porque procurou, procurou

O amor que faltou.