Irrompe sobre os telhados das casas

um sopro

que sopra

por falta de afeto

sentido da vida

e nela contida

toda solidão dos objetos

que nos fazem virtuais

iguais e desiguais

por trás das parabólicas

como rios que desembocam

e fluem sem cessar

por todas as ruas

onde existem almas

em busca da palavra certa

despida e nua

de toda a superfície impressa

nos ouvidos

cansados de ouvir e de esperar promessas

não cumpridas

de um sistema corroído

que promete vida.