Não me poupe a vida

das mais espontâneas alegrias:

do nascer da manhã

ao fim do dia

 

Não me poupe a vida

do barulho da chuva:

sobre o telhado

e do chão que a suga

 

Não me poupe a vida

da lucidez:

e só de amor

a embriaguez

 

Não me poupe a vida

de sonhar:

mesmo sozinho

na sala de estar

 

Não me poupe a vida

de um sorriso de mulher:

que de tão belo

faz enternecer

 

Não me poupe a vida

do olhar de uma criança:

quando já cansado

encha-me de esperança

 

Não me poupe a vida

de escrever:

no enrugar da pele

quando envelhecer.