A cidade que eu nasci era pequena

e continua pequena

no interior do nordeste

no sertão do nordeste

onde a chuva era pouca

e continua a ser pouca

nascido de parteira

sobrevivente

retirado do ventre

de minha mãe

 

De resquício de recordação

só a mão

que esparrama a farinha

bodes, porcos, galinhas…

e a solidão

ainda menino

cercado de mística

velas para o padre santo

a batina de promessa

a pouca informação

 

E voou rasteiro

sentido no interno

incerto

o cheiro da terra molhada

a serra olhada

 

E era um susto de estórias

a cova

da arapuca

de dizeres do medo

o plantar do milho

da mandioca

o alimento pouco

 

Estendendo os olhos

para o sol

que queima

mas ainda teima

meu mundo de réstias

 

Que o pouco que tenho

sobrevive-me

neste existir excêntrico

porque ainda

existe

meus dedos sobre um mundo

esquizofrênico.