Arquivo de fevereiro 2014

Uma abelha

Entrou uma abelha em minha pequena

cozinha

voando ao meu redor

ora vai, ora vinha.

Não expulsei tal abelha

pois a procura de alimento

estava ela

pra levar para sua colmeia.

Acho que abelha não é inseto

é um ser alado

que voa de flor em flor

e não é mal educado

vai feliz pra colmeia no seu voo.  

Rumores

Nesta tarde de sol,

ouço o som de uma batucada

e no bar as pessoas falavam em sons;

a palavra em mim encravada.

 

Rumores na televisão de violência,

informações que entrecruzam,

desde da minha tenra existência

imagens e sons que pululam.

 

Há momentos que se prolongam

no tempo,

de lembranças

em reciclagem

na mente da gente;

se no deserto só se enxerga miragens,

na mente, garimpagens de ressonâncias.

O dia se estica nesta tarde

O dia se estica nesta tarde de verão

no céu só o rastro de um avião

as chuvas de verão se esconderam

e esperam

março chegar

para desaguar.

As crianças ainda brincam

ainda choram ou riem

pelos seus desejos

e as escolas de samba

ensaiam os seus enredos

e todos esperam março

“e a lama e a lama”…

As escolas de samba se adornam

para março

como se adornam

os flamboyants.

Veloz

Veloz, veloz!

sou um pássaro que voa

o que a música entoa

no ritmo da melodia

sobre o bemol

e o sustenido

agradável aos meus ouvidos

as cores da luz do sol

são cores da telúrica

música, música!

Estar bem

Eu nado no ar

fechado no meu lar

e na leveza a noite aprazível

agradece o dia

porque não é desprezível

estar bem consigo

em ondas de alegria.

Minha janela

Minha janela é fechada agora

pois se aberta só se vê um muro

de escombros

e nada o que possa vislumbrar

lá fora

 

Abro as janelas de minha cabeça

e um navegar de visões

do que meus sentidos pegaram:

uma chuva caída no meu amanheça

ou as pegadas que as luzes do sol deixaram

 

E o que a minha ruazinha possa ter:

o nascer do sol no Japão

ao anoitecer nas Américas

desde que no mundo todo possa ver

por todo espaço entre a Terra e o chão.

Meus versos

Meus versos são para quem

gosta da simplicidade

como uma pipa

feita de três varetas

mas no céu tem

leveza

bonitas

é a mais pura imagem

da vida

como a duração de um

sonho.

Idades

Às vezes me sinto como

adolescente

Quero que as coisas aconteçam

antes do sol poente

 

Às vezes me sinto como idoso

e sinto que a pressa

é só uma maneira de estar

 

Dentro de mim varias idades:

Uma como criança

Uma de meia idade

Uma juventude esperança

 

Às vezes quando estou

perto da felicidade

dá vontade

de correr

pelas ruas sem rumo

com as mãos fechadas

com a boa nova serrada

nos punhos.

Vou comprar uma bicicleta

Vou comprar uma bicicleta

e pedalar, pedalar

sem parar

Ir até o Recreio ou a Barra da Tijuca

sentir a brisa no rosto

exercitar o meu corpo

investir mais do que nunca

e sair deste trânsito louco

onde o automóvel tem toda

a preferência

Não há pistas de ciclismo

e estarei absorto

solto

neste trânsito do asfalto

abarrotado de carros.

Fiz do silêncio o meu quarto

Fiz do silêncio o meu quarto

escuro

e dos dias velozes

fiz no tempo oculto

em desanimar e animar

o ruído da voz

Humana

no coração o que a vida

inflama

todo o vazio

de quem em oculto ama.