Arquivo de abril 2014

A disparada

Faço da goela

a remela

da infelicidade

a sequela

canso e não me acho

ave presa no espaço

na garupa

a disparada

mãos calejadas

na enxada

menino preso

em casa

o seu apreço

a imaginação

mente que da asas

carroceria de caminhão.

Como saber o rio que desce da montanha

Como saber o rio que desce da montanha

em busca do mar?

Como saber os meninos que correm

rompendo o ar?

Como saber os sonhos de um sonhador

que tece palavras em forma de amor?

O tempo já veio e agora já é

felizes os que sonham com força

e fé

Assim é ser humano

que não desiste dos

planos

e não arreda o pé.

Lamento

Doce alfazema

janelas, dores e penas…   

Queria que fosse um

tema

e não um dilema.

Teia tênue

Sou uma teia tênue que se dissipa

à luz do sol

uma ideia solta no papel

uma árvore que me espera

na calçada

peixes presos pelo anzol

que agora contemplam

a luz do céu

vento que sustenta uma pipa

meninos que correm atrás de uma

esfera

chuva que faz cair a temperatura

compra feita

nove fora

é nada.

Pedras imprecisas

Numa caminhada entrei

numa rua estreita

de pedras imprecisas

pelo tempo deslocadas

então pensei:

imprecisa também é a vida

que no deslocar dos acontecimentos

molda durante a jornada o que serei.

A luz afugenta a sombra

A luz afugenta a sombra

e ilumina a terra

sombra e luz

e tudo se traduz

em ondas

no clarão do dia.

Quem não se atrai

com um belo dia?

Em tudo distrai.

 

 

Meus pés pulam uma poça

d’água

em tempo de outono

força de minh’alma

não me faz o tombo

no vazio da vida

como ser estrada?

Entre tantas pessoas

em busca de um chão

no pavio da lida

luz do lampião.

Sal e luz

o arco-íris pairou no ar

entre as montanhas

no mar, no mar

 

sal e luz

espalham na terra

e nas pessoas reluz

Saliências da parede

Saliências da parede

num esfregar com as mãos

como alguém que procura

a leveza límpida e plana

nos dedos presos

e mal tratados por papéis

dizer ao tempo:

só um revéis

das colinas imprecisas

no chão de quem as pisa

e procuram a eloquência

de muitas ciências

que me diz a sapiência

do saber pouco na experiência

como muito dizem as crianças:

disto tudo não sei

por muito não ter vivido

no intelecto não faz sentido

só sei quando viverei.

Querer e não poder

Querer e não poder

como dinheiro que se acaba

se não investido torna a se perder

como momentos numa sala

que no tilintar da moeda

torna-se perda

por mais do que se seda

e se pareça

sábio.

Empoeirada

Mole, mole vem

e não faz nada

a mesma alegria

empoeirada

frases mal tratadas

nos olhos de alguém

que buscava uma palavra

de frases de amor

que ao invés de buscar num

gesto

busca o objeto

de curar

o coração mal amado

e objetivar

para ser curado.