Arquivo de maio 2014

O garoto parou e olhou

O garoto parou e olhou

um cartaz do circo

trapezistas em voo

a tardinha combinou

com um amigo

entrar por baixo da

lona do circo

e a noite assistiu

boquiaberto

mulheres no trapézio

bailarinas penduradas

numa corda

elefantes

leões

o palhaço fazendo

trapalhadas

a noite sonhou

que o mundo era

um grande circo

cheio de estrelas

iluminadas.  

De paz

Aqui se faz a emoção

de paz

reflexão

e mais

mais do que podia

reviver

fatos e ternuras

no amanhecer

meus versos

são honestos

como quem confessa

 ao sol de cada

dia

o que hoje e ontem

se fazia

ausentes de violência

na pequena eloquência

fazendo com que as verdades

se mostrem

e se confessem. 

Assim veio a palavra

Assim veio a palavra

para eu destrinça-la

e dizer:

eu creio

no poder que ela

tem

enquanto o trem

não chega

pra desembarcar a

emoção

com a força de uma

ressurreição

dos sentimentos

imersos

e descansar

nos meus versos.

O livro

Entrar diretamente na jugular

de um notebook

passar rasteira em um tablete  

derrubar um desktop

nada comparável a um livro

com textura

com cheiro

e conteúdo

para uso

e abuso.  

Levantei meus olhos no Rio

Levantei meus olhos no Rio

o Rio de Janeiro

e vislumbrei algo que nunca

imaginei

uma cidade sem exploração

tudo andando em harmonia

e a riqueza de cada dia

estivesse em cada mão

que constrói o presente futuro

uma cidade sem muros

de exploração

e cada criança terá a certeza

do amanhã que nascerá

com a leveza

da paz

na cidade reinará.

Envolto de frustração

Envolto de frustração

o homem que confia

no homem

por isso consiga sem

demora o dom

da iluminação

como os olhos

de quem fia.

Um abraço no espaço

Um abraço no espaço

arrancando o ar

das raízes que seguram

o que faço

amenizar a dor

um balsamo de alivio

um olhar que acalanta

como o brilho da flor

e por cima das penhas

por cima dos montes

espalhar a semente

uma palavra de amor

porque a palavra

tem poder de fazer

e acontecer

tanto a que fere

como a que cura.

 

Saúde

Não há riqueza maior

que a saúde

diz assim

meu corpo

amiúde

eu digo:

atchimmmm…

haja disposição

pra comprar remédio

falando sério

estou com uma bruta

gripe no pulmão.

Vamos bora

Aqui de dentro não dá

pra se vê o que se vê lá

de fora

vamos bora, vamos bora

que o tempo chegou

e a ruina dos ventos

o Homem penou

o seu cata-vento

já desmoronou

ah, felizes os que choram

porque serão consolados

as coisas que se ocultam

serão ditas nos telhados

a máquina vencerá o homem

na velocidade

o que restará das coisas que somem?

um resto de saudade. 

Diga o coração

Mãos que afagam

prazer de ser mãe

momentos inefáveis

que diga o coração

diga através dos pulmões

como o brilho das estrelas

alcançam os olhos

prazer em serem crianças.