Arquivo de agosto 2014

Corre nos meus braços

Corre nos meus braços

algo que se diz vida

alço no espaço

algo que se eterniza

e por se tratar de vida

minha mente rejubila

como colmeia ativa

e cata-vento na brisa

como café nas narinas

que na manhãzinha

nos abraçando no ar

no recôndito lar

e nas casas se acarinha. 

Tiraram o abrigo do ponto de ônibus

Tiraram o abrigo do ponto

de ônibus

não sei como!

não sei o porquê!

Alguém estacionou uma

basculante bem no lugar!

em frente ao Domicílio São Sebastião

por isso peço aos votantes:

nas eleições

verifique bem em quem

vão votar

se é alguém comprometido

com a educação

e o bem estar

público:

não troque seu

voto

por falsas promessas!

A casa dos fundos dos fundos

A casa dos fundos dos fundos

é a minha

minha não

alugada

O silêncio às vezes é inquietante

por isso tenho de ouvir música

música leve

para que meu corpo não

fique pesado

nem meus pensamentos me

deixem cansado

do tempo que me veste

de esquecimento.

Coisas que se cria

Um sonho quando se é

criança

é cheio de fantasias

-coisas que se cria-

mas quando se é

adulto

a cabeça cheia de

rotinas

sonha-se com as coisas

simples

coisas quando menino

era a nossa dança.

Palavra

a                        palavra                    lavra

lavra                  a                              palavra

regada               regada                   regada 

Levados pela memoria

Levados pela memoria

os dias contam histórias

nos passos que se apagaram

e ficaram os fatos

lembranças e retratos

guardados em um álbum

ou baú empoeirado

coisas simples que ficaram

sem muita explicação

a mente liga histórias

que ficaram no coração.

O frio devora a noite

O frio devora a noite

a escutar o choro de

uma criança

burburinho de conversas

Quem tem presa tomando

café quente?

Ausente de tudo

com uma sofreguidão

humana

que todo mundo sente

quando se sente ausente. 

Onde?

Van Gogh Van Gogh?

Onde está a minha mão?

Que chama tua alegria

Van Gogh Van Gogh?

Esta doença me destrói

Estou em teus delírios

Na tua humanidade sã

Não quero como tu

Me derramar no divã

Lampejam vultos externos

Lampeja uma alegria

De deixar uma obra

Passo a passo

Todo dia.

Um galo cantou

Um galo cantou

e cantou alto

acordei

às 4 da matina

 

lembro quando

tinha que levantar

neste horário

 

faz muito tempo

que não ouço galo

para levantar

muito tempo

mesmo

 

quando um cantava

logo outro respondia

numa repetição

constante

 

faz muito tempo

que não ouço galo

para levantar

e avisar que vai

nascer

o dia. 

Se algum dia

Se algum dia andando

pela rua

triste e desconsolado

receber um cumprimento

amável e inesperado

responda sem hesitar!

Quem sabe

não foste cumprimentado

por um anjo a te olhar?

A te dizer num sussurro:

-Sorria que a vida continua!