Arquivo de setembro 2014

Você está pensando assim…

Você está pensando assim…

na jangada da sorte

vida e norte

jardim

Encontrar os teus olhos

reflexo no espelho

que usa aparelho

e se esquivar-se

como um disfarce

da tua alegria

não

ter fim.

Do amar

A mãe que gera filhos

o rio que busca o mar

nada mais perfeito

do que o verbo amar.

Não chore o leite derramado

Não chore o leite derramado

pois o aprendizado não é sem

esforço

na beira do poço

o balde não sobe sem ninguém

que trilhou o caminho

tantas vezes caminhado

 

E quando chove

o céu derrama

e inunda o prato do dia

e tudo se precipita

num inundar

pelas nuvens que se

movem

e a seca do chão

é saciada

e raios e relâmpagos

clareiam

a escuridão

depois de tudo

as telhas gotejam

o resto de água

para que haja vida

vida tantas vezes

reclamada.

Quem faz versos

Creio que quem faz

versos

deixa algo de si

nos versos

 

Como uma digital

incerta

 

Para os que são

verdadeiros:

para os seus versos

deseja o mundo inteiro.

Alguém veloz

Alguém veloz

na ribeira da

folhagem do escuro

taciturno

que esperou teu sorriso

no escuro coração

que bateu forte

minha sorte

de ver formosura

em teus gestos

mostrando e não sorrindo

e nem tocando tua voz

e o dia disse que linda

não é pra ti

só vendo!

e o dia

lento, lento…

Instile no saco conjuntival

“Instile no saco conjuntival”

assim dizia a bula

do colírio

não sei por que se expressa como tal

não sabia também que meu olho

é um saco

a bula é difícil

a bula é dura

a bula não é simples

a bula é burra

porém, respeite a bula.

A geladeira fria

A geladeira fria

o filtro da pia

o martelar do vizinho

A mulher que procura

por alguém

e o cachorro late, late

por instinto

na manhã que começa

a desenhar o dia

tudo, tudo

é um despertar da vida

que em um segundo ou menos

pode mudar a história

de cada um ou de todo mundo

estamos numa teia que se interliga

em outras teias

a globalização

na noticia do rádio

da internet

da televisão

lança um prenuncio

no filtro da mente

e buliça e roda

num som longínquo  

que acorda e rosna

na necessidade

iminente

de estar sóbrio.

Uma mão que afaga

Uma mão que afaga

Uma gota de orvalho

Os olhos que não tem

Pressa

De olhar o horizonte

A montanha a serra

E mão que arremessa

A rede para o mar

Passarão cem anos

E ainda perguntaremos:

O que será o amanhã?

De manhãs em manhãs

Diremos:

Ah, nasceu o dia!

Porque ainda se inicia

Despois do sono

O nosso labor

Ainda que dure

E perdure

A falta de amor.

Socorro

O cuidado da natureza

tornou-se aflição

de um polar ao outro

degeneração

Enquanto as Ongs

e os sábios pedem

socorro

pela natureza

Nas atitudes

revoltantes

daqueles que têm

o poder na caneta

olhando pro umbigo

e não pro planeta.

Aversão a gravata

Gravata,

coisa mais ridícula,

estirada como uma

língua

saindo pelo pescoço.

Come a carne, rói o

osso!

Para ser abastado

e ter o terno engomado,

usar uma vestimenta formal.

Quem inventou estas coisas?

Qual foi o ancestral?