Arquivo de novembro 2014

O sol brilhou

O sol brilhou

revigorou

meus nervos

frágeis

parecia

miragem

de verão

sobre o pouco

que se tem

E a luz veio

e vem

No meio da tarde

fazendo ancoragem

para o meu coração

Rapaz solto na vida

que passa o olhar

pra qualquer avenida

minha sorte não

está perdida

Basta apenas

cantar e cantar

e andar e andar

e se deter

de frente

pro mar.

Canto da parede

Descansei os meus olhos

no canto da parede

Não sei se era verde

por tantas misturas

de tintas passadas

Minha mão descansou

na outra

Meus pés se juntaram

e descansei

O meu corpo

ancora de porto

que eu não sei.

O que pode conter o coração?

O que pode conter o coração?

Será a lei da gravitação?

Ou as leis da física universal?

O que pode conter será a razão?

Ou mão que escrevem o imortal?

O pensamento, o pensamento!

que indaga sobre tudo que é bom

Como leve canção com harmonia de tons

Isso pode conter e controlar nosso batimento.

Receita pra ficar acordado

Estou só

De café

Com água

Pode ferver

A misturada

De dois

Elementos

Depois

Mais um

Açúcar ou

Adoçante?

Vamos mais

Adiante

Na noite.

Descartáveis

Quanto tempo um homem

deve andar para ser aceito como

Homem?

o comércio, a mídia a todo dia

lança novas versões

carro, computador, celular…

produtos

descartáveis

que em pouco tempo fica sem

valia

e a memória do que se fez

é produto sem vez

o hábito de consumo é sem

memória

como livro esquecido

fica nossa história

e povo pobre é povo sem

reviver

daquilo que foi e é bom

não lembra porque é tardio

em ler

do muito do muito

que jaz em silêncio

engavetado e sem som.

 

Ciclo vicioso

O menino cresceu

e esqueceu

das brincadeiras

os seus amigos de infância

esqueceu a inocência

Hoje vive de outra maneira

sem tempo para a família

sem tempo para o seu filho

a sua filha

O trabalho toma todo seu

tempo

como brisa

que passa é insuficiente

o fim de semana

O homem é assalariado

se não sobra tempo para tempo

viver

há algo de errado neste sistema

em trocar todo o seu tempo

para ter o que receber.

Quem é que vai viver o meu mundo?

Quem é que vai viver o

meu mundo?

Porque a vida passa

como o clarão do dia

Eu sonho

mas meu sonho

precisa de vias

não quero morrer só

em busca de fantasias

Entrei dentro da noite

recebi os açoites

da realidade

que me invade

como monstro tenebroso

da solidão

do meu corpo

isolado no espaço

que me preenche agora

de letras que a minha mão

me faz poeta que luta

na vida aço

mas somos muitos

que lutam em busca

de sonhos

como umas vozes convergentes

a gota de cada dia

pinga insistentemente

olho o relógio

já é tarde vai amanhecer.

A lerdeza do mundo

Não, eu não aguento

a lerdeza do mundo

nos iludindo

preso em uma gaiola

do carimbo da burocracia

Quem tem muito se isola

fica pra outro dia

O andarilho acaricia

o fundo da cartola

e toca sua viola

Queria ser um andarilho

mas perco o estribo

e me revolto

envolto

de algumas sobras

que sobeja

o prato sobre a mesa

Isto são obras?

Falar através da escrita

Falar através da escrita

muito mais do que é

dita

demonstre sentimos novos

pois o que é novo é resistido

Como nosso pensamento

vestido

de regras impostas

hora penso no meu mundo

hora penso sobre o mundo

e tenho a impressão que estou

à margem

Como a margem da escrita

 

E cada cabeça uma sentença

desenvolve suas crenças

quanto mais ampliamos

o horizonte

transpomos montes

ampliando o conhecimento

do mundo

que não é nosso

vagueia no espaço

E o que é expresso

no hoje

pode não ser melhor

do que ontem.

Morena

Morena qual o seu nome?

Morena que olha pra mim

Eu tenho nome e sobrenome

Morena não faça descaso de mim.