Arquivo de dezembro 2014

O verbo é o inicio

O verbo é o inicio

O verbo faz

Verbo matéria

O verbo nunca jaz

Pelo teu orifício

Da traqueia

Sai fonte de vida

Ou de morte

Palavra ouvida

Move os neurônios

Sinônimos

Do verbo fraco ou forte.

Eu digo o que havia de dizer

Eu digo o que havia de dizer

se na vida não encontras prazer

encontre um motivo para a vida

porque ela não está perdida

 

Faça como faz o coração:

Ele bate, bate, bate…

mesmo que a emoção

da alegria não te invade.

Qual a origem dos pardais?

Qual a origem dos pardais?

O seu cantar é barulhento

porque ele canta o que ele é

O canto a maioria das vezes revela

quem somos

a expressão da sua fé

Pois quem busca calma – sinfonia

Cantar é contar uma estória

Fazer o dia sentir

faz pensar

faz chorar

faz sorrir

Como diz a criança:

– Contar historinha pra dormir e

põe pra dormir…

A linguagem e o mar

A linguagem é profunda como o

mar…

Quem tem barco seguro

para navegar?

Embarquei meus desejos num barco

e enfrento o tempo

bravio

Há escassez na viajem

pois calculei errado o tempo

e a bagagem

Dela tive que desfazer

pra que meu barco navegue

pelas ondas livre

veloz a correr.

Poeminha curto

Eu só queria escrever um poema

curto

Ou ele sai na marra ou ele sai

de susto!

 

Mas quem liga para um poeta

pobre de palavras

Nada de exímio compositor

O que falta em palavras

sobra em amor.

Cadeiras descadeiradas

Cadeiras descadeiradas

na falta d’água

só o motor

do ventilador

que o calor

quase afasta, afasta, afasta…

 

E a espera de quem não veio

por quantos meios

se procura a sorte?

Hoje despois da chuva

só o estio…

 

E a vida tantas vezes

medida

Haja guarida

pra quem guarda os meses

 

O mundo vasto

devastado

e os mais abastados

coitados!

Tomando champanhe

em ar condicionado

O lixo os pobres

que apanhem.

 

Dezembro

Chuvas de dezembro

Natais passados

Eu já não lembro

Parece que chove sempre uma chuvazinha

Em todo Natal

Como uma esperança

Do que vai nascer

Nenhum fim de ano é igual

Só algumas coincidências

Que nos faz relembrar Natais

Passados

Que o balanço de fim de ano

Não seja só o financeiro:

Seja também o de nossa

Infância.

Vento

O vento sopra nos telhados

desconhece tudo

no mundo

 

Tanto o fluido de vida

como o de morte

 

Não há corpos

Não há pedra

Não há água

que contam

com a certeza

da sorte

de vento a seu favor

 

Foi ele quem fez as Naus

cruzarem os oceanos

é ele quem provoca

com sua força

pavor

e sopra sopra…

fazendo os seus circuitos

 

É ele quem dá vida

e sustento ao longo

dos anos

de tudo

que se move

e é mortal.

Certo no incerto

Constelações de poemas

asas que voam

suspensas no ar

vento vento

pardais e afins

bate asas no fim da tarde

leva minha alma

clara e calma

em mim

 

Repentina alegria

o radio entoa

músicas

bate em minh’alma

alma que não sente o tempo

um fragmento de vida:

a criança chora

som que vai embora

como faísca

 

Café traz lucidez

e o ventilador jorra ar

bate em meu corpo

espalha o mofo

de tudo que se faz

e se fez

 

Minha vida é minha?

não, nada é acaso

como lápis no papel

desenha por linhas incertas

uma ideia que se elabora

tudo é certo no incerto

como homem que rasga o céu

e a profundeza dos mares

tudo planejado e escrito

em sua busca pelo

infinito.

Questão de escolha

Se você quer sabedoria

você já encontrou

Pois desejar tê-la

já é o inicio dela.