Arquivo de abril 2015

Por que tu defraudas os meus ombros?

Por que tu defraudas

os meus ombros?

 

Ombros que sustentam

o mundo

 

Que deram consolo ao aflito

Que perdoaram ao pecador

A mulher tratou com

amor

quando a multidão queria

apedrejar

 

Ombros que revolucionaram

 

Ombros que souberam o que é

o amar

e carregaram

a cruz!

Escambichada

Minha mãe de setenta e nove anos

disse que se sente meio escambichada

A palavra falada à vezes parece mais

grave do que se apresenta

Hora se deita, hora se senta

mas em meio às dificuldades

surge a figura de um titã

Dorme sedo e acorda sedo

pra viver todo dia de manhã.

Abri a janela do meu coração

Abri a janela do meu coração

com sol pela manhã

para as coisas boas

Fechei para os impropérios

e as nuvens escuras

de coisas más

 

Meu jeito é de filtrar

os alaridos

das ruins e obscuras

Há uma torrente no

Mundo

que encobre tudo de bem

Humano

trevas e luz

a se misturar.

 

Traças

Num canto da parede

havia traças

Não sei como elas surgem

mas se não

cuidarmos de tirar

o mofo

e o papelão

elas se multiplicam

repugnantes

de trás da caixa

como o vírus

da corrupção. 

Chuva

Eu desenrolo adereços

da pele da terra

antes que o vento

me

leva

para lugares obscuros

Quando a mente se faz

leve

E eu me leve

a algum lugar de claridade

desfazendo-me do tempo

alento de vento

como brisa das manhãs

de

outono

e

das nuvens em

elevação

deságuo

no

oceano.

Vi numa foto

Vi numa foto

Uma criança atira pedras

em soldados Israelenses

Mais do que pedras

ele atirava ódio

O ódio alimentado desde

criança

Num conflito sem solução

nem esperança.

Rocha e mar

Rocha e mar

num entrelaço de beleza

mostra a natureza

o mar num estrondo no rochedo

aglomerado

exprime num incessante ondular

 

Toda a beleza sob o raio solar

cava desenhos na rocha

por milhares de anos

na costa

do continente

e tudo se faz eminente

 

A mão de Deus tece seus planos

e tudo é belo e belo

no vento que sopra

para o oceano

encosta

 

É colosso!

Nada singelo!

Num som ruidoso

do mar…

 

Como papéis ao vento

Como papéis ao vento

levados ao léu

a poesia sem sentimento

Barco levado pela tempestade

esperando uma abertura do céu

 

Minha poesia não tem idade

todas juntas formam uma

-como um todo-

Uma a uma

dizem quem sou

Pois o sentimento mais

sublime do poeta

é o amor.

Como crer e ter?

Como crer

e ter?

E procurar

descortinar

entre cantos

e salmos

afugentando a ilusão

do palpável?

No imponderável

mundo sem solução?

A ameaça chegou a Fernando de Noronha

A ameaça chegou

a Fernando de Noronha

Reserva ecológica

que tanto nos provoca

proteção a vida marinha

 

Esta reserva

que enche os olhos

chegam avisos de requer

esforços

por causa da mudança dos efeitos

climáticos

 

Precisa de imediato

antes que esta riqueza

venha a perecer

Nestes dias surgiram sargaços

que invadiram a beleza

 

Nestes dias tão difíceis

não escapa nada

do fundo do mar

à superfície.