Arquivo de maio 2015

O corpo ao dormir

O corpo ao dormir

entregue ao sono

passivo

mas ainda palpita

Devagar se move

na contagem das horas

no breu da noite

E a noite não se agita

e não mexe a dormência

que molemente

alivia-se do cansaço

Quando paira a manhã

na janela

e a noite abre e estende

os braços

para fora do dia

quando

principia

o despertar novamente.

Sacoleja

A noite esvaneceu

e o dia brilhou no céu

O liquidificador corta e

sacoleja a vitamina da manhã

com banana e maçã

sacoleja, sacoleja, sacoleja

sobre um canto da mesa

O dia no inicio

como um principio

dos acontecimentos

que venham a existir

E tudo me faz sentir

nada mais que simples

sob o firmamento

coberto de azuis.

Amar

O amor é como uma amizade intima

Que nasce do querer doar-se

Como o rio que desagua no mar

Dar valor a uma ação ínfima

Um ao outro retratar-se

Na plenitude do verbo amar.

Quanto pesa a fraterna alma humana?

Quanto pesa a fraterna

alma humana?

Em busca de se conhecer

que em Deus a alma chama

num simples vencer

toda sua arrogância

do pouco que se fez

e tem

Considere o bem

além da infâmia

carência

que vem de

vez em vez

E você verá que tudo

se faz leve

alvo como a

neve.

Eu queria transformar

Eu queria transformar

os azuis

Eu queria voar

pelas ondas de um

blues

e navegar

nas cortinas

do tempo que ensina

e realizar

o sonhar.

Noite escureceu

1

Noite escureceu

chuva fina que cai

do céu

Os seus pingos caem

no chão

Água fria molha minhas

mãos

e o frio recolhe ao lar

as pessoas que tem

um teto

Não há nada mais que

certo

o que o amor pode

demonstrar

 

2

E maio abriu as portas

que desembocam

para o inverno

abrindo as janelas

para junho

Só Deus sabe

quanto ao tempo

no calendário do nosso

contratempo

que tem as promessas

e pedem pressa

dos dias que vem. 

 

Escrevi na pedra

Escrevi na pedra

Crer

Porque crer

É mais do que nossas mãos

Podem

Tocar

Escrevi também

O verbo amar

Como Deus escreveu

Eu

Também escrevi

Embora não

Vi

Como ele viu.

Reconhecer

Reconhecer

o meu ser

num mágico segundo

e minha voz

em nós

ou em meu mundo

me faz ver

se cria em qualquer

mágica de crer

Na contagem das pétalas

termina em bem-me-quer

na ruazinha que espera

o romper da aurora

e quem está de fora

não sabe o que se passa nela.

Onde é o meu lar?

Onde é o meu lar?

não é por detrás das colinas

não é no mar

É no olhar daquela menina

mulher que refletiu o meu rosto

nos seus olhos

e eu vi o pouso

dos meus sentimentos

porque não há portas que me contenham

meu jeito de voar

no verde azul do céu

e contemplar

abelhas em busca do mel

e quanto mais leve a mente

não há cordas que me sustentem

pássaro que escapou

pela porta entreaberta

em mim desperta

a frase que em mim ficou.

 

Mãe, mãe

Mãe, mãe

Mão, mão

Afago

Acalanto

Corpo

Frágil

Amor

Peito

Em

Flor