Arquivo de julho 2015

Lá longe

Lá longe

muito longe

estão meus pés

que se soltaram de tanto

andar

E eu disse a todos:

vou ganhar

do tempo

não durmo ao relento

nasceram novos pés

que andam devagar

ao invés

de correr

sem nada alcançar

e não vencer.

Meus olhos

Esfrego os meus olhos

como tirar tudo

Tudo que as escamas

me impedem de ver

Levanto da cama

e mergulho

na água

meus olhos que carregam

todo meu ser.

O lampadário

A água da pia que escoa

no cano reto e inclinado

por sob o chão

O lampadário

lâmpadas que acendem

em bocais distintos

E a água vai dar em um

ribeirão

Uma escoa água

outro escoa luz

Diria que a penumbra

matéria escura que se

introduz

são da mesma essência

escura

Uma escurece a água

outra escurece a luz.

Amainar as águas

Amainar as águas

do verde dos dias

e plantar a semente

do saber que não sabia

Abrir o livro da vida

e ele levemente

nos faz ver

a fé que sentimos

grito de menino

no caminho do sol

na medida certa

o caminho é uma seta

a vida mostrou

que a paciência

na perseverança

e abrir o tempo

dos anos que passou

porque os sonhos

não dormiram ao relento

mas melhorou

o tempero que somos.

Uma placa

Uma placa na rua do bairro do subúrbio de Jacarepaguá:

“Breve aqui: empreendimentos imobiliários”

Mais um prédio de apartamentos construir-se-á

Com reserva para estacionamentos

 

E por que não construir um parque para crianças?

O povo precisa de mais parques para lazer!

Mas, uma constatação acaba com minhas esperanças

Há mais cachorros que crianças nos lares

 

Cachorros não precisam de escorregadores

Não precisam de brinquedos com gramas verdes

 

Cachorros não tem o que dizer

Com uma casa de tábuas e osso pra roer

 

E passear nas calçadas fazendo cocô e pipi nos postes

Cachorros não são crianças que pedem coisas pra suas mães.

 

(nada contra os animais)

A mão de Deus criou Adão

A mão de Deus criou Adão

Criou Adão do pó do chão

E o espirito viveu Adão

E Deus disse um não

Pra Adão não voltar pro chão

E a serpente disse um sim

Sim que era enganação

E aí começou a confusão!

Muitos dizem um sim

Que na verdade é um não.

Sentimento de mim

Sentimento de mim

falo assim

num jeito que não se

avisa

Considerar as muitas

partidas

e percorrer

as muitas divisas

de estados

países

E conhecer fronteiras

de muitos

ires e ires

virtuais

Fatos e destratos

dos anos

da linha tênue

que separa

entre fatos e planos

e assim a minha memória

se perpetue

num vigor

do tempo

com amor

e movimento.

Reverberar

Reverberar sentimentos

açoitados pela dor

dor de não poder mais

não disser tanto faz

 

Após a tempestade

brota uma flor

à beira do ribeirão

e colher pela mão

calejadas de sol

 

Não empata

se dilata

o poço fundo

cheio de cores

do meu mundo

tão pouco de saber

mas as flores

que plantei

estimula-me a vencer.