Arquivo de outubro 2015

Ponto a ponto

Sobe da terra os nossos

júbilos

E então tudo que

é fortuito

Tudo que merece

ser considerado relevante

sobe além dos

montes

A nossa vida é cheia de

desencontros

apesar de se planejar

tudo

ponto a ponto.

Belo e mágico

A cadeira de balanço

os tamboretes

as cadeiras

 

Tudo era quietude

na varanda

 

Ninguém na rua que

passe e anda

 

E o sol nascia belo

como sempre

 

Como é belo e mágico

quando amanhece…!

A primavera se espreguiça

A primavera se espreguiça

alheia

e

acolhedora

De tanto que me fez

artista

da palavra

dada

Umas palavras

inspiradas

fechando a linha

pontilhada

daquilo que falou

e amou

de vez

o artista.

Ou mal ou bem

Ou mal ou bem

todos nós

dentro nós

Tudo sempre

tem

 

Além da pobreza

e

riqueza

O tesouro

de doar-se

reluz como

ouro.

Eu queria escrever algo

Eu queria escrever algo

Algo que despertasse o mundo

Eu queria escrever algo

Algo que ecoasse lá no fundo

da garganta

Eu queria escrever algo

Algo que penetrasse com força

tanta

e tocasse

pelo menos a mim mesmo

no principio

no ermo

da vastidão da mente

de cada um

E que não fosse comum

mas que suavemente

desse um ardor

no peito daqueles carentes

de amor.

Sobressai

Expressa nas florestas

tropicais

Expressa nas montanhas

nas campinas

nos vales

nos mares

nas flores do deserto

Mesmo no que era

incerto

sobressai sua beleza

o cuidado

da natureza

Mesmo nos jardins

dos ateus

ela nos revela

Deus.

 

Em cada passo

Em cada passo

não piso o chão

Piso o asfalto

do meu coração.

Eu corri ao longo da estrada

Eu corri ao longo da estrada

espalhando palavras

outrora preso no canto

e um canto entrou em mim

sonhando verbos

em sonhos do meu mundo

assim

Quando cheguei no fim

do caminho

notei que não era

como se esperava

Era de novo o começo

de aprender com o mundo

como quem se abre o peito

e ver o fundo

do sonho que sonhei

Era o inicio de outra estrada

que vi nos olhos

do amor

tão simples

e

despertei.