Zé Game acordou, de um pulo. Quando ouviu algumas vozes estranhas, enquanto tirava seu pijama. Escovou os dentes, quando bateram na porta do banheiro. Era sua mãe dizendo frases incompreensíveis. Abriu a porta e deu de cara com sua mãe, aparentemente lhe perguntando algo numa língua que ele não entedia.

Zumplingfunk up!

Era assim que Zé Game entendia.

O que houve com a família? Será que ficaram loucos?

Lembrou que ficou até tarde da noite, jogando game. Era sua mania. Seu hábito incontrolável.

       Era um jogador solitário. E maníaco. Às vezes jogava com um amiguinho, como sempre, se saia vencedor. Isto lhe dava orgulho, e aumentava mais e mais sua paixão pelos games.

Não entendia o que as pessoas falavam, nem da família, nem os vizinhos, ninguém.

Não podia ir à escola, sem entender nada do que falavam.

       Foi levado ao médico que o examinou. Nem ele nem o médico entendiam o que um e o outro diziam. O médico resolveu encaminha-lo a um médico de cabeça. Um psiquiatra.

Levaram-no ao psiquiatra. O psiquiatra dizia: “Zumplingfink on”. Segundo Zé Game entendia. E ele dizia: Linklinkon, linklinkon. Segundo o que o psiquiatra ouvia.

O psiquiatra encaminhou uns exames de eletroencefalograma, exames de sangue, etc…

Levaram os exames ao psiquiatra.

Não deu nada muito grave. Só uma anemia, por alimentação inadequada.

       O psiquiatra o encaminhou a uma junta médica, junto com os pais.

Os médicos ao interrogar os pais, recomendaram uma boa alimentação e exercícios físicos. Afinal ele só tinha onze anos!

Recomendaram mais: ausência de todo tipo de game, videogame e computadores.

       Zé Game, ao chegar em casa e entrar no seu quarto, teve uma surpresa. Nada de aparelhos eletrônicos!

Ele chorou, chorou… Tentou falar com os pais “sneef sneef link”, mas os pais não entenderam nada. Só entenderam quando ele no seu quarto apontara para o lugar dos eletrônicos.

Os pais disseram:”snak e snak”. Segundo entendera Zé Game, eles disseram “não e não”!

Os médicos também recomendaram mudar a rotina de Zé Game. Recomendaram boa alimentação, muito lazer, um animal de estimação e livros para sua idade. Afinal de contas, não são umas coisas difíceis!

       Ao passar de uns dias, Zé Game acordou entendendo tudo. Brincava com seu cachorro, ia à escola normalmente, e, até, lia livros de historia, poesia, etc… Conseguiu melhorar até suas notas na escola.

       Hoje, Zé Game não se chama mais Zé Game. Chama-se: “Zezinho Sonhador”.