Acordado na noite

no embalar da música

noite na Boiuna

o sábado passa

e se retrata

no último fio

de minutos da semana

semanas cotidianas

quase nenhum comércio

no fim da estrada

no pedaço de bairro

esquecido

depois de tantas esperas

soluça a noite dentro de mim

nada de jornais

me sinto alheio

mas presente no País que

pulsa

os dias são todos apressados

correm atrás do calendário

e a roupa no armário é pouca

a biópsia do mês que termina

pede luz

como meu quarto reluz!

no escuro da noite

dorme a gente pacata

neste pedaço

da Barreira

tudo é empírico

nada de besteira

meu mundo se equilibra

na minha alma de poeta

simples

mas ser simples não é tão

simples

e o que pesa mais no gotejar

da vida

são as coisas simples

o puro extrato da existência

o amar

a vida

que sempre procrastina

na variação de valores

tanto matérias quanto pessoais

e o Rio de Janeiro no vermelho

como um sinal de trânsito

entre tantos sinais

no abarrotado circular

de carros.